O presidente da Câmara de Lisboa, o socialista António Costa, disse na quarta-feira que PS ainda tem muito caminho a percorrer para ser alternativa ao Governo, nomeadamente na conquista dos votos brancos e nulos.

Ao comentar o resultado das eleições autárquicas no programa «Quadratura do Circulo», na SIC-Notícias, Costa afirmou que da leitura dos números apurados «não resulta o PS como uma alternativa clara e imediata».

O autarca frisou a dimensão da abstenção e de votos brancos e nulos, defendendo a leitura sociológica das mensagens inscritas nestes boletins, no âmbito de eventuais alterações à lei eleitoral.

«Uma das coisas que se devia fazer era a possibilidade de serem acessíveis os votos nulos para se saber que mensagens é que contêm», disse.

Costa reconheceu que estes boletins traduzem uma atitude diferente da abstenção: «O branco e o nulo é alguém que venceu a comodidade de estar em casa e vai à urna para dizer algo e isso é muito significativo».

«Há aqui um espaço que está por mobilizar», referiu, acrescentando que o PS tem ainda «bastante caminho a fazer».

Instigado pelos jornalistas a responder a este comentário de António Costa, dirigente socialista Miguel Laranjeiro concordou com a ideia do presidente da Câmara de Lisboa. «Há um caminho que estamos a traçar com uma grande coerência, envolvendo a sociedade civil, todos os portugueses, através da Convenção Novo Rumo», disse.

Miguel Laranjeiro frisou que a Convenção «Novo Rumo» será um processo na construção de um programa alternativo ao atual Governo por parte do PS, destacando a abertura da iniciativa à sociedade civil.

Miguel Laranjeiro, secretário nacional do PS para a Organização, falava aos jornalistas no final da reunião da Comissão Política dos socialistas, que se caracterizou por um consenso em relação ao êxito desta força política nas eleições autárquicas de domingo.

«A Convenção Novo Rumo será um processo e não um momento, um processo que se iniciará desde já e em que queremos envolver toda a sociedade portuguesa, num grande movimento para encontrar soluções para os problemas dos portugueses. Há milhões de portugueses a atravessar imensas dificuldades», salientou o deputado e dirigente nacional do PS.

Segundo Miguel Laranjeiro, nas eleições de domingo passado, «o PS obteve uma vitória histórica, tendo cumprido todos os seus objetivos, vencendo com mais votos, com mais freguesias, mais mandatos e com um número recorde de câmaras conquistadas».

O PS foi o partido com mais presidentes de Câmara eleitos nas autárquicas de domingo, 150, e incluindo uma em coligação, no Funchal, segundo os dados finais da Direcção Geral de Administração Interna (DGAI).

O PS conseguiu 149 câmaras sozinho e uma no Funchal (em coligação).

A abstenção total foi de 47,3%, os votos nulos 1,25% e os brancos 1,72 por cento.