O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, comparou este sábado as posições do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre Portugal às posições de um «carrasco» apostado em «esmifrar» o povo português enquanto puder.

BE também pede a demissão do Governo e avisa que é tempo de «desobedecer à troika». Pede a Cavaco que vete o Orçamento e considera que a solução não passa por aumento de impostos.

FMI: «Não há margem» para revisão do défice.

«A posição do FMI é o posicionamento lógico de quem quer, de quem decidiu que este país, os trabalhadores e o povo português vão ter de continuar a ser 'esmifrados', passe o termo, até poderem», disse.

Em entrevista ao «Expresso», o chefe da missão do FMI em Portugal, Subir Lall, diz que flexibilizar o défice para 2014 «não é uma hipótese», face a medidas chumbadas pelo Tribunal Constitucional (TC), e diz que a troika acordou com o Governo que, se necessário, apresentará medidas alternativas para alcançar o défice de 4% no próximo ano.

Por outro lado, questionado se um segundo resgate a Portugal está excluído, Subir Lall diz ser «muito cedo» para discutir de forma sustentada o que virá depois do atual programa de assistência financeira a Portugal.

«Cada passo dado justifica um passo adiante nos cortes, na austeridade, nos sacrifícios, nas privatizações, na entrega ao capital estrangeiro daquilo que ainda temos, e, nesse sentido, é a declaração do carrasco, que, aproveitando a assinatura da troika nacional [PSD, CDS e PS], tem este objetivo de levar à exploração e ao empobrecimento de Portugal e dos portugueses», criticou o secretário-geral do PCP.

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas depois de descerrar a placa toponímica da nova avenida Álvaro Cunhal, em Setúbal, no âmbito das comemorações do centenário do antigo dirigente comunista, criticou também as previsíveis medidas alternativas que o Governo poderá adotar face ao chumbo da convergência de pensões pelo Tribunal constitucional.

"Aquilo que parece estar indiciado pelo Governo é, mais uma vez, direcionar as medidas contra os mesmos do costume. E reparemos: nunca houve uma preocupação do Governo, em relação ao aumento da receita, em relação à capacidade fiscal do País, em pensar nas PPP (Parcerias Público-Privadas), nas 'Swap', numa moratória em relação ao serviço da dívida, que nos permitisse alguma folga para o desenvolvimento económico", disse.

"Nunca se pensa taxar as grandes fortunas, antes pelo contrário, com a reforma do IRC, os grandes grupos económicos vão ver aliviada a carga fiscal", acrescentou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista reiterou também as críticas que tem vindo a fazer ao Governo pelo que considera ser uma prática reiterada de desrespeito da Constituição da República Portuguesa e voltou a pedir eleições antecipadas.

«A Constituição da República, que é para cumprir, fez uma opção clara: estar do lado de quem trabalha, de quem trabalhou, do lado da infância, do lado dos direitos sociais. Este Governo está do lado dos interesses económicos. Há aqui uma contradição que, do nosso ponto de vista só tem uma solução: a demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas», cita a Lusa.