O secretário-geral do PS criticou, este sábado, António Costa por ter decidido avançar como candidato «agora que o PS tem quase a certeza absoluta que ganhava as eleições». António José Seguro afirmou que Portugal «não precisa de um primeiro-ministro de ocasião».

«Portugal não precisa de um primeiro-ministro de ocasião. Portugal precisa de um líder com coragem que avança nos períodos difíceis para tirar Portugal da crise», referiu António José Seguro, citado pela Lusa.

Costa quer transformar «maioria do contra» em «maioria de Governo»

O líder socialista criticava António Costa por ter decidido avançar como candidato à liderança agora e não quando teve oportunidade, em momentos de congresso do PS.

«Quando um partido tem eleições normais, também é normal e natural que quem se quer candidatar se apresente. Foi o que eu fiz, eu e o Assis há três anos. Mas há três anos ninguém mais esteve disponível para se chegar à frente. O PS tinha tido uma das maiores derrotas de sempre e não se sabia como se estaria nesta altura», afirmou.

«Mas agora? Agora quando não estava aberta nenhuma disputa interna. Agora que já é apetecível o poder. Agora que o PS tem quase a certeza absoluta que ganhava as eleições, agora é que há disponibilidade», acrescentou.

O secretário-geral do PS falava aos jornalistas após um encontro com militantes e simpatizantes que decorreu, este sábado, no edifício da Alfândega, no Porto.

Na sessão discursaram vários presidentes de câmara socialistas do distrito, bem como apoiantes independentes, o deputado europeu Francisco Assis e o líder da distrital PS do Porto, José Luís Carneiro.

António José Seguro começou por dizer que não estava ali por «jogos de poder». «Estamos por Portugal, estamos pelos portugueses», afirmou, adivinhando-se um discurso de crítica a António Costa.

Já no final da intervenção, perante cerca de 800 militantes e simpatizantes, o líder socialista referiu que «quando as televisões o convidaram para debate» disse «de imediato» que aceitava, e acrescentou: «Tenho pena que o António Costa rejeite».

«Solidariedade» e «lealdade» foram duas palavras que percorreram todo o discurso de Seguro, que aproveitou o momento para questionar, como é que os portugueses vão acreditar que o PS é capaz de praticar esses valores uma vez no Governo, se não os souber praticar dentro do partido.

Sobre propostas para o país, o líder socialista avançou que pretende apresentar uma nova lei sobre incompatibilidades e outra sobre a reforma da lei eleitoral.

«Não pode continuar a haver promiscuidade entre política e negócios. Tem de haver uma clara separação (...). É por isso que apresentaremos até setembro uma nova lei sobre incompatibilidades. Quem tiver dúvidas, faça um favor à política e ao seu país: fique nos negócios», defendeu Seguro.

Para setembro, o PS vai reservar a apresentação da proposta sobre o número de deputados na Assembleia da República e Seguro adiantou que vai sugerir dar aos portugueses «a possibilidade de escolherem o seu deputado, ou através de uma lista aberta ou através de círculos de um só deputado».

A nível interno, o secretário-geral do PS avançou que quer que «todos os candidatos do PS a deputados nas próximas eleições» subscrevam «um código de conduta para darem um claro sinal aos portugueses de que no exercício de funções públicas não há qualquer confusão nem promiscuidade».