O presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro assinalou este sábado que a saída da troika «não muda tudo instantaneamente» mas representa em primeiro lugar que Portugal não está obrigado a negociar as suas leis com os credores.

«Em primeiro lugar, a partir deste dia Portugal não está obrigado a negociar as suas leis com credores estrangeiros. Para um democrata, esta mudança não é pequena», afirmou Paulo Portas.

O governante discursava na sede do partido, em Lisboa, no átrio, onde foi instalado um relógio cuja contagem decrescente chegou a zeros, numa iniciativa promovida pela Juventude Popular.

Paulo Portas disse que é preciso ter a «moderação e a sensatez de explicar aos portugueses que obviamente não muda tudo de um dia para o outro instantaneamente» mas mudam «condições significativas» da vida do país enquanto nação e representa o «fim da excecionalidade».

Ao fim de três anos do programa de ajustamento, «há uma lição que fica», disse. «É uma pena que certas reformas importantes para termos uma economia mais flexível e empresas mais competitivas tenham acontecido não por decisão soberana dos políticos portugueses mas por uma imposição externa.»

«Qual é a lição? Temos de ter dirigentes políticos e parceiros sociais com capacidade de entendimento, de compromisso», defendeu.

Uma outra mudança ao fim dos três anos é a «forma de fazer política», afirmou Paulo Portas, defendendo que «acabou o tempo de procurar ganhar eleições sacrificando as próximas gerações».

«O que os portugueses vão pedir é que os partidos e os dirigentes sejam capazes de explicar soluções razoáveis que tenham em conta a sustentabilidade», considerou.

Para o líder do CDS-PP, o fim do programa de resgate financeiro «não permite o regresso à irresponsabilidade», já que «se voltasse a irresponsabilidade, voltaria a haver um problema».

Mas, significando o «fim da excecionalidade», a maioria PSD/CDS-PP, já «pode dizer, com os pés assentes na terra, que algumas coisas, passo a passo, mudarão para melhor», disse, afirmando ainda que a data é assinalada pelo CDS com «orgulho, respeito e humildade».