O Presidente da República afirmou que Portugal se deve «regozijar» com a decisão da Irlanda em recusar um programa cautelar depois de terminado o período de ajustamento.

«Nós devemos regozijarmo-nos com esta decisão da Irlanda, porque é a prova de que a União Europeia pode ultrapassar as suas dificuldades», afirmou, em Braga.

Segundo Cavaco Silva, se Portugal se comparar com a Irlanda, o resultado é positivo para o nosso país mas, ainda assim, «a Irlanda tem mais apoio por parte dos mercados» do que Portugal.

«Felicito o povo irlandês, que passou por sacrifícios muito semelhantes aos que os portugueses têm suportado e que agora vê sinais de um futuro melhor», disse, lembrando que o «grande desafio» de Portugal é completar o programa de ajustamento com «sucesso».

Alias, o Presidente da República considerou que Portugal até tem uma realidade mais favorável que a Irlanda.

«Se fizermos a comparação entre a Irlanda e Portugal, constatamos que o défice orçamental é menor em Portugal do que na Irlanda, que o valor da divida pública é semelhante nos dois países, que o crescimento económico é semelhante nos dois países quando consideramos o Produto Nacional Bruto», apontou.

O Presidente questionou assim o porquê da diferença de tratamento entre os dois países, adiantando explicações.

«Há uns autores que dizem que se deve ao facto do crescimento potencial da Irlanda ser maior do que o de Portugal, outros que se deve ao facto de o ambiente político e social na Irlanda ser menos crispado do que em Portugal, outros que é um pais anglo-saxónico, outros que é porque a Irlanda tem um forte apoio dos bancos americanos», referiu.

Segundo resgate?

O chefe de Estado aconselhou «alguns políticos» a «estudar» o significado de um segundo resgate a Portugal por parte da troika.

Cavaco Silva afirmou também que é «muito importante» que Portugal tenha registado um crescimento positivo e que agora é necessário «consolidar» esse crescimento.

Questionado sobre o relatório do Fundo Monetário Internacional, que apontava a necessidade de mais sacrifícios em Portugal, o Presidente explicou que o que é de «valorizar» são as nove avaliações positivas da troika a Portugal e não «relatórios de técnicos».

«Alguns políticos ainda não estudaram bem o que significa um eventual segundo resgate. É bom que o façam», aconselhou Cavaco Silva porque, explicou, «não há a mínima dúvida que um segundo resgate implicaria sacrifícios não menores do que aqueles que os portugueses têm vindo a suportar».

Confrontado com os últimos dados do INE, que apontam um crescimento da economia Portuguesa de 0,2 % no terceiro trimestre, o Presidente da República afirmou que esta é uma notícia «muito importante», mas que não basta.

«É uma notícia muito importante, até porque no segundo trimestre Portugal tinha registado um crescimento positivo, o mais elevado de toda a União Europeia. Agora cresceu 0.2 %. Podíamos ambicionar mais mas foi maior do que o crescimento que se verificou na zona do Euro», disse.

No entanto, alertou, agora o país tem que «consolidar esse crescimento».

Respeito ao TC

O Presidente apelou ainda a que se respeitem as decisões do Tribunal Constitucional e afirmou que seria «bom» que as forças políticas se entendessem sobre o OE2014.

«Deixem o tribunal fazer o seu trabalho e respeitemos todos as suas decisões aqui e lá fora», apelou.

Sobre a necessidade de consenso entre as várias forças políticas, Cavaco Silva apontou que as «mais variadas entidades» apelam a um entendimento porque «estão convencidos» que sem esse acordo a situação do país «será pior» no futuro.

«Seria bom que as forças políticas se entendessem. Assistimos às mais variadas entidades a apelarem a um consenso político alargado, não é apenas o Presidente da República», apontou.