Um Rui Rio emocionado esteve em destaque na tomada de posse de Rui Moreira, que assume, a partir desta terça-feira, a gestão da Câmara do Porto.

Mantendo em comum com Rio a opção pelo rigor financeiro, o primeiro independente eleito presidente da autarquia portuense destacou «como imperativo de gratidão o legado cívico e político» recebido do antecessor, o social-democrata Rui Rio que hoje cessa funções depois de 12 anos a liderar aquela Câmara.

«Mais do que as obras, mais até do que a exigência, o rigor e a transparência com que geriu os dinheiros públicos, Rui Rio deixa à cidade e ao país um modelo de pedagogia democrática e cívica. Soube, como muito poucos, interpretar o sentido mais fundo do interesse público e da coisa pública. E, para isso, não hesitou quando foi necessário afrontar interesses instalados que procuravam capturar, em benefício próprio, o património que é, e só pode ser, de todos», destacou Moreira.

Afirmando rever-se «nesse património imaterial que, de alguma forma, representa a marca de água» da gestão de Rio, o novo autarca prometeu conservar «essa linha de rumo».

No discurso, Moreira prometeu saber «estar à altura» do que dele «é esperado» e agradeceu a presença de «muitos amigos que, quando pouquíssimos acreditavam, sempre manifestaram apoio e deram o incentivo desinteressado para liderar um grande movimento da cidadania» na cidade.

«Não duvidem, tenho uma noção rigorosa e exigente sobre o que esperam de mim e sobre o movimento de esperança que, por toda a cidade, representou a minha eleição. A mim, cabe-me cumprir, nunca desiludir e enobrecer a função de presidente da Câmara do Porto», vincou.

O novo presidente da Câmara do Porto revelou que o novo mandato abre um «ciclo de evolução» na autarquia, onde a intenção é manter linhas «de rumo» do autarca cessante, Rui Rio, a quem expressou «gratidão».

«O mandato que hoje se inicia abre um novo ciclo político no Porto, e esse será um ciclo de evolução. Porque esse foi, e é, o nosso compromisso de honra. Vamos manter o que está bem e vamos melhorar o que for necessário. Manter o que está bem obriga-nos à maior das exigências. Melhorar o que é necessário apelará ao melhor do nosso empenho e da nossa criatividade», afirmou, no discurso de tomada de posse.

Reiterando que «as três prioridades» do mandato são a coesão social, a economia e a cultura», Moreira prometeu não se afastar «um milímetro destes três pilares» e alertou serem eles a justificação para as contas certas que defendeu ao longo da campanha.

«O rigor nas contas, a gestão cuidadosa, não são, ao contrário do que alguns pretenderam fazer crer ser minha convicção, um objetivo por si mesmo. Não. As contas rigorosas e transparentes são, isso sim, o pressuposto, a condição, para que a governação e as opções estruturantes possam ser levadas a cabo», sublinhou.

Para Moreira, «são essas as condições» para o Porto ser «uma cidade livre». «A coesão faz-nos mais livres, a cultura faz de nós uma cidade de liberdade e o crescimento económico liberta a sociedade.»

Rui Moreira propõe liga de cidades do Norte

Rui Moreira quer também que o Porto assuma um papel agregador, propondo, nesse sentido, a criação de uma liga de cidades do Norte do país.

«O Porto, o Porto livre, pode, e mais do que pode, deve, assumir um papel agregador, deixando claro que não tem a pretensão do domínio, e que não aspira senão a ser capital de si mesmo», justificou.

O autarca propõe «a criação de uma Liga de Cidades que vá do Porto a Bragança, passando, entre outras, por Viana do Castelo, por Braga, e Guimarães, por Chaves e Vila Real, num traço contínuo» que una o Norte.