O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou, nesta sexta-feira, que praxes «estúpidas, perigosas, coercivas e violentas» devem ser banidas das universidades, atribuindo a estas instituições «a primeira responsabilidade pela civilidade».

A polémica sobre as praxes académicas reacendeu-se após a morte, em dezembro, na praia do Meco, em Sesimbra, de seis estudantes universitários, engolidos pelo mar, muito embora o ministro da Educação e Ciência não tenha associado o incidente a uma praxe.

«Acho que praxes estúpidas, perigosas, coercivas, violentas não devem ter lugar no ambiente universitário», sustentou aos jornalistas Paulo Portas, em Lisboa, depois de ter participado na sessão de encerramento de uma conferência sobre ensino privado, organizada pela Confederação Nacional da Educação e Formação.

Ao ser confrontado com o assunto das praxes, Paulo Portas sustentou, ainda, que «a primeira responsabilidade pela civilidade do espaço de uma universidade é, evidentemente, de quem a dirige, a universidade, que tem licença para isso».

O vice-primeiro-ministro disse também esperar que «o trabalho» de Nuno Crato com as universidades e os estudantes «dê resultados».

Na quinta-feira, o ministro da Educação recebeu representantes das associações académicas e das universidades, com o intuito de discutir e recolher propostas que visem «evitar que se repitam praxes absurdas e atentatórias da dignidade humana e da dignidade dos estudantes».

Crato frisou que o Ministério da Educação não rejeita responsabilidades nos abusos cometidos nas praxes, mas lembrou que há responsabilidade de toda a sociedade e que, com as reuniões convocadas, pretendeu manifestar «uma preocupação continuada e reforçada, por ter vindo a lume uma série de informações sobre estas práticas atentatórias da dignidade dos estudantes».