O presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, pediu este domingo ao PS uma «pacificação em nome do interesse nacional» para que Portugal termine o programa de assistência económica e financeira em maio deste ano.

«Ajudem Portugal, não é o Governo, a terminar o programa. É uma pacificação que vos peço em nome do interesse nacional», pediu Paulo Portas aos socialistas, no encerramento do XXV Congresso do CDS-PP, em Oliveira do Bairro.

Dirigindo-se diretamente à delegação do PS ao Congresso, encabeçada por João Proença, Paulo Portas pediu ao PS que tenha «em atenção» que «terminar o resgate é mais importante que ser popular».

O líder centrista reiterou a ideia segundo a qual os socialistas não podem exigir simultaneamente o fim da ajuda externa num processo semelhante ao da Irlanda e quererem que o Tribunal Constitucional chumbe medidas que permitirão o cumprimento desse objetivo.

Portas afirmou ainda que a coligação governativa com o PSD será a primeira a terminar o mandato em 40 anos de democracia, admitindo que possa não ser a última a consegui-lo. «Dizem que nenhuma coligação terminou o seu mandato em quarenta anos de democracia. Algo me diz que seremos os primeiros a fazê-lo e a partir daí não seremos os últimos a fazê-lo», afirmou.

Discursando na sessão de encerramento do XXV Congresso do CDS-PP, o líder reeleito dirigiu as primeiras palavras ao presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que preside à delegação social-democrata na reunião magna dos centristas.

Paulo Portas considerou que «a vantagem das coligações é a pluralidade» e, por isso, indicou, é que os países mais fortes da Europa são governados há décadas em coligação.

Sobre o estado da coligação governativa com o PSD, Portas afirmou: «Os nossos países não são iguais nem são sósias mas sabem estar juntos por um bem comum maior que se chama Portugal».

Ainda dirigindo-se ao primeiro-ministro, Paulo Portas destacou o significado do dia 17 de maio para o país, afirmando que Portugal «não merece o azar» de um segundo resgate e merece sair do programa de ajustamento «com dignidade».

«A Europa precisa de um caso bem-sucedido a sul» afirmou, considerando que em maio de 2014 o que se vai discutir «são as semelhanças e especificidades entre a Irlanda e Portugal».

«Estamos no radar dos países com solução», afirmou Paulo Portas, destacando que, no final do programa de assistência financeira, o país vai poder escolher os meios e as políticas para atingir os objetivos e recuperar a soberania.