O presidente do CDS-PP afirmou nesta quinta-feira que o partido não desiste de «ser maior» nem de ser «posto à prova», argumentando também que coligação com o PSD é «tão imperativa» como «é necessária» a defesa da identidade centrista.

«Até hoje, o CDS-PP não teve oportunidade de liderar executivos nem de ser o pilar principal de programas de Governo. É uma circunstância arreliantemente teimosa. Mas, com grande humildade, nós também dizemos que não desistimos de ser um partido maior nem de sermos postos à prova», afirmou Paulo Portas, num jantar em Lisboa, de arranque das comemorações dos 40 anos do partido.

Portas defendeu que «o CDS-PP tem sido um recurso do país para situações muito difíceis» e que foi por isso formatado «no modelo muito europeu das coligações, que são compromissos permanentes».

«No caso atual, diria que é tao imperativa a necessidade da coligação entre PSD e CDS-PP como é compreensível e necessária a defesa da nossa identidade numa coligação que não é, nem ninguém queria que fosse, uma fusão», afirmou.

Paulo Portas afirmou que «trazer o CDS-PP para o arco da governabilidade deu trabalho, mas é hoje um facto não controverso».

«Nós sabemos que governar implica muita responsabilidade e não pouco pragmatismo. O país sabe que sem o CDS-PP no arco da governabilidade, o nosso sistema político ficaria tomado e limitado pelo chamado centrão», sustentou.

Para o líder centrista, «o povo português chamou sempre o CDS-PP ao Governo quando as circunstâncias eram de emergência extrema».

«O CDS-PP foi e fez bem em ir, porque Portugal é o bem maior», argumentou, afirmando que sempre que foi chamado ao Governo «foi com a casa a arder e a penúria à vista de todos».

Portas recordou a génese do CDS-PP: "Nascemos apesar do PREC [Processo Revolucionário em Curso], crescemos debaixo de cerco e de tiro, instituídos votando contra uma Constituição, que os sectarismos e os dogmatismos da esquerda transformaram numa oportunidade perdida".

O facto de o CDS ter sido o único partido que votou contra a Constituição de 1976 foi muito sublinhando pelo líder do partido.

"O CDS sempre soube fazer um separador entre aquela que foi porventura a sua deliberação mais justa, mais visionária, mais correta e mais corajosa, o voto contra a Constituição, com qualquer inferioridade que nos quisessem atribuir, num regime que sendo democrático, teria que ser para todos", defendeu.

"A Lei Fundamental foi ficando menos má, revisão após revisão e o CDS esteve em todas. O partido sempre teve a noção clara que o país tinha que ser governável e governado", acrescentou.

Portas lembrou a história do partido, "feita de ciclos", como em todos os "partidos democráticos", e afirmou que o CDS-PP assume "a história como um todo", sem a "purgar".

"Não temos dificuldade em colher ensinamentos que o tempo enraizou de cada um dos presidentes", disse.

De Diogo Freitas do Amaral, lembrou "a fundação", de Francisco Lucas Pires, "a inovação", de Adriano Moreira, que disse ser o maior dos "mestres e sábios" dos centristas", evocou "a visão nacional", de Manuel Monteiro, "a proximidade", de José Ribeiro e Castro, a "perseverança".

"De mim não falo porque estou em funções e o mandato ainda não acabou", disse.