As populações das aldeias do Penedo (Colares) e de Dona Maria (Almargem do Bispo), no concelho de Sintra, atrasaram hoje uma hora a abertura das assembleias de voto nas eleições para o Parlamento Europeu.

No Penedo, dezena e meia de pessoas tentaram fechar com uma corrente as instalações da Tuna Euterpe União Penedense, em protesto contra o encerramento de uma estrada devido ao muro de uma quinta que ameaça ruir.

Os bombeiros e a GNR de Colares cortaram a corrente, mas moradores mantiveram-se no local apelando à população para não votar. «Foi um gesto mais simbólico para chamar a atenção para a necessidade de obras que permitam abrir a estrada», explicou Anabela Almeida. A moradora notou que «crianças da escola da Sarrazola tem de fazer a estrada a pé, apesar do muro ameaçar ruir».

«Não temos outro acesso pedonal», lamentou José Pereira, morador no Penedo e comerciante em Almoçageme, apontando as dezenas de quilómetros que a população é obrigada a fazer para contornar os cerca de 150 metros vedados à circulação devido á ameaça de queda do muro com 4 metros de altura da Quinta de Cima, propriedade de Vale e Azevedo.

A diretora municipal Ana Queiroz do Vale, que se deslocou ao Penedo já depois da abertura das urnas, garantiu aos moradores que a Câmara de Sintra está «a desenvolver todas as diligências para fazer as obras», depois de a proprietária ter comunicado à autarquia não ter disponibilidade financeira para reparar o muro.

Ana Queiroz do Vale assegurou que «a câmara vai tomar posse administrativa» da quinta para avançar com as obras, que devem iniciar-se «em junho» assim que sejam concluídos determinados procedimentos e notificações. Após a conclusão dos trabalhos, os custos serão imputados ao proprietário.

A mesa de voto, que só abriu às 9:00, «devido à impossibilidade de entrar nas instalações», como se justifica num edital afixado na porta, pôde então funcionar, embora com pouco afluência.

Em Dona Maria, a população também tentou bloquear com correntes a assembleia de voto, em protesto contra a intenção de encerramento da unidade de saúde local, confirmou Rui Maximiano, presidente da junta da União de Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar.

«A população acorrentou o portão da escola primária onde funciona a assembleia com duas mesas de voto», esclareceu o presidente da junta. As autoridades policiais retiraram a corrente, e a assembleia de voto abriu por volta das 9:00.

O protesto, segundo Rui Maximiano, visou protestar «contra o eventual fecho da unidade de saúde e a falta de médicos». As mesas de voto abriram, mas o autarca notou que «a afluência estava muito fraca».