O socialista António Vitorino considera que o «perfil económico» de Carlos Moedas abre um conjunto de possibilidades sobre a pasta que irá assumir na Comissão Europeia.

«Acho que o perfil económico de Moedas lhe abre um conjunto, um leque de possibilidades, quer com interesse direto para Portugal, quer com interesse para o conjunto europeu. Acho que o critério não deve ser só aquilo que muitas vezes é entendido como o interesse específico português, mas também a capacidade de influência que um determinado pelouro dá no colégio de comissários que é quem, em ultima instância, toma as decisões», afirmou o antigo ministro socialista, quando questionado sobre o que seria uma «boa pasta» para o comissário português.

António Vitorino, que falava aos jornalistas no final de um jantar da Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo, sublinhou ainda existirem «várias hipóteses interessantes e possíveis» em relação à pasta que será atribuída ao comissário português e disse acreditar que Portugal conseguirá «uma boa pasta».

Antes, durante o jantar e em resposta a uma questão de um aluno da Universidade do PSD, o também antigo comissário europeu já tinha aludido às «qualidades pessoais e à experiência» que qualificam Carlos Moedas para comissário e para fazer «um bom lugar».

Nessa resposta, António Vitorino fez ainda referência à dificuldade que será operacionalizar uma comissão com 28 membros, considerando que será necessário «estruturar internamente a comissão para garantir que ela desempenha as suas funções essenciais e que, ao mesmo tempo, preserva o princípio da colegialidade».

«Ou seja, que todos os 28 membros tenham uma palavra a dizer sobre todos os assuntos que são decididos pela comissão, é um exercício muito difícil», acrescentou.

Interrogado pelos jornalistas sobre se já escolheu em quem irá votar nas primárias do PS, se António José Seguro ou António Costa, o ex-ministro socialista gracejou que «as eleições são só a 28 de setembro».

Apesar de não divulgar qual será a sua escolha, António Vitorino garantiu, contudo, não ter «nenhuma dúvida» sobre o candidato que irá escolher.