O líder comunista afirmou esta segunda-feira que «não é preciso ser profeta» para adivinhar mais cortes do Governo nos «trabalhadores, reformados e pensionistas», condenando a ideia de mais um novo imposto, sugerida nas jornadas parlamentares do PSD.

Comentando as jornadas parlamentares do PSD, que decorrem entre hoje e terça-feira em Viseu, Jerónimo de Sousa declarou estar convicto que, apesar de o primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmar não existir uma «agenda escondida de cortes», os portugueses vão ter novas diminuições nos seus rendimentos, «os mesmos do costume».

«Ainda não sabemos sobre quem vai recair, mas não é preciso ser profeta para pensar que vai ser mais uma dose de austeridade e sacrifícios para reformados e pensionistas, para os trabalhadores», afirmou, após reunião do comité central do PCP, em Lisboa.

O secretário-geral comunista criticou «a cartilha que hoje é dominante» de haver «sempre maneira de aumentar os impostos sobre quem trabalha», referindo-se à ideia avançada pela presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, igualmente nas jornadas do PSD em Viseu. Aquela responsável sugeriu a alterações de impostos, colocando os cidadãos a receber os salários e pensões numa conta poupança, sendo posteriormente taxados pelos levantamentos e movimentos bancários.

«Chama-se a atenção para a atitude do PS que, para lá desta ou aquela afirmação, não só decidiu conceder todo o tempo de vida ao Governo como colabora e converge em matérias tão estruturantes quanto as da reforma do IRC para servir o grande capital, como também acompanha no objetivo de não repor o nível de salários e pensões entretanto cortados», sublinhou ainda, sobre o maior partido da oposição.