O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, desvalorizou esta sexta-feria a proposta do PSD para taxar as PPP, e que terá sido travada pelo Governo, considerando que se tratou apenas de «um grito de alma» sem consequência.

«Foi mais um grito de alma sem nenhuma consequência, porque se estivessem de facto verdadeiramente empenhados nessa proposta avançariam com ela porque a Assembleia da República é que tem o poder legislativo», afirmou Jerónimo de Sousa, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com responsáveis da CGTP-IN.

De acordo com notícias divulgadas nos últimos dias pelos jornais, os deputados do PSD pretendiam aplicar taxas sobre as PPP, mas a proposta foi travada pelo próprio Governo.

Questionado sobre estas notícias, o secretário-geral comunista desvalorizou a intenção dos sociais-democratas, considerando que «fica apenas como um registo de procurar salvar a sua má consciência».

Relativamente às declarações de quinta-feira da ministra das Finanças, que não descartou a hipótese de Portugal também prescindir de um programa cautelar, à semelhança do que fez a Irlanda, Jerónimo de Sousa disse tratarem-se apenas de «afirmações».

«Vão com certeza gastar todo o livro de adjetivos para esconder no essencial que o que pretendem é continuar a sua obra de destruição», sublinhou.

Quanto ao encontro com a CGTP-IN, o líder comunista destacou a «convergência de pontos de vista em relação a matérias de fundo», mas admitiu que se tratam de propostas que serão rejeitadas pela maioria.

De qualquer forma, acrescentou, as propostas ficarão como «património que vai inevitavelmente integrar uma política alternativa». «São propostas que visam o desenvolvimento económico, mais justiça social e travar esta política desgraçada de austeridade a que os trabalhadores e o povo português estão sujeitos», resumiu.