O cabeça de lista da Aliança Portugal, Paulo Rangel, repudiou esta terça-feira as declarações de Manuel Alegre, considerando que o histórico socialista o associou ao regime nazi, e disse aguardar por uma «retratação» por parte do PS.

«Eu vou esperar ao longo deste dia uma retratação por parte de Francisco Assis e de António José Seguro, porque eu quero saber se eles subscrevem ou não a ideia de que eu, Paulo Rangel, cabeça de lista da Aliança Portugal, tenho alguma associação a algum partido nazi ou alguma prática de um regime nazi», afirmou Paulo Rangel.

Falando aos jornalistas na Gafanha da Nazaré, Ílhavo, o «número um» da coligação PSD/CDS-PP afirmou que, «em qualquer país da Europa», declarações como as de Manuel Alegre na segunda-feira dariam origem «a um pedido de desculpas imediato por parte do Partido Socialista, por parte de António José Seguro e por parte de Francisco Assis».

«Se eles não se retratarem, dão toda a ideia do que pensam da democracia em Portugal», declarou.

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acusou na segunda-feira Paulo Rangel de ofender a democracia, «espírito inquisitorial» - ao dizer que cada voto na Aliança Portugal é um voto «contra o vírus socialista» - e de lembrar quem considerou os judeus «um vírus».

«Mas revelou também uma enorme falta de memória histórica, porque há umas dezenas de anos, na Europa, houve um partido [Nacional Socialista] que disse que os judeus eram um vírus que era preciso exterminar. O PS não é um vírus mas um grande partido da democracia e da tolerância. Os seus fundadores estiveram presos e depois do 25 de Abril de 1974 não se transformaram de perseguidos em perseguidores - e essa é a nossa superioridade moral», afirmou Manuel Alegre.

Paulo Rangel disse repudiar «profundamente» as declarações do histórico socialista.

«Eu tenho feito uma campanha contra os casos e casinhos, mas quando alguém faz um ataque pessoal à minha pessoa e, para além do mais, me quer associar não apenas ao partido nazi, mas também ao regime nazi, isso ultrapassa todos os limites do que é tolerável em democracia», disse.

«Não há nenhum país europeu onde uma declaração dessas não dê origem a uma indignação geral», frisou.