A dirigente do Bloco de Esquerda Marisa Matias afirmou que o primeiro-ministro «não fala para o país que conhecemos», mas para «os mercados» e para «quem manda no Governo».

Comentando a mensagem de Natal de Passos Coelho, a eurodeputada sustentou que só o facto de ele «falar para os mercados, de falar para quem manda no Governo» pode «justificar que, mais uma vez, tenha vindo apresentar um país que só existe na cabeça dele».

O chefe do Governo «refere que há uma diminuição do desemprego» porque se esquece de contabilizar que essa redução resulta dos «milhares de portugueses que tiveram de abandonar o país», afirmou à agência Lusa, a eurodeputada do BE.

«O que Passos Coelho e o Governo estão a fazer é a reduzir os empregados em Portugal. Não é a aumentar o número de postos de trabalho, ao contrário do que refere» na sua mensagem.

O chefe do Governo «fala de uma sociedade de oportunidades que aí vem, quando o que fez foi destruir ou procurar destruir a escola pública, reduzindo, portanto, as oportunidades daqueles que têm mais dificuldades económicas», afirmou.

«Passos Coelho fala de uma dívida que está a diminuir», mas que «no final do ano atinge os 128%», exemplificou ainda Marisa Matias, defendendo que o primeiro-ministro «fala de uma série de coisas que não fazem parte da sociedade» portuguesa.

«Uma economia mais democrática é aquela em que a economia está ao serviço da sociedade», mas «não é essa que Passos Coelho tem defendido», salientou.

Para Marisa Matias, o primeiro-ministro «tem defendido uma sociedade em que aqueles que trabalham ou trabalharam a vida inteira não fazem outra coisa senão desviar os seus rendimentos para pagar os buracos de um sistema financeiro especulativo».

O atual primeiro-ministro e o Governo estão «a procurar destruir gradualmente» aquilo que «um povo construiu ao longo dos últimos 40 anos», como os sistemas públicos de saúde e de educação, sustentou.

Já o PCP considerou que a mensagem foi «hipócrita» e «cínica». «São declarações caracterizadas por uma profunda hipocrisia e cinismo. Trata-se de um primeiro-ministro e de um Governo que tencionam continuar a mentir e a enganar os portugueses, acenando com tempos melhores que virão, mas adaptando efetivamente medidas que pioram cada vez mais a vida dos trabalhadores, dos jovens, dos reformados, de todos aqueles que fazem parte de uma imensa maioria que sofre, para, no fundo, garantir os lucros fabulosos da banca, da especulação e dos grandes grupos económicos nacionais e estrangeiros», declarou Pedro Guerreiro.

Os comunistas consideram que a política «à margem da lei e da Constituição», com Orçamentos do Estado «consecutivamente marcados pela inconstitucionalidade», é a «principal responsável pelo aumento do desemprego, o empobrecimento, a emigração que atinge cada vez mais portugueses, o corte de salários, de reformas e pensões, que desbarata património empresarial do Estado, reduz ou elimina prestações sociais, degrada serviços públicos da saúde e da educação e que representa, no fundo, um autêntico saque às famílias e as pequenas e médias empresas».

Aos «milhares e milhares de portugueses que não se conformam», Pedro Guerreiro deixa uma palavra de confiança e de esperança, afirmando que está nas suas mãos a conquista de um futuro melhor, que passará pela derrota deste Governo, pela convocação de eleições antecipadas.