O presidente do PSD e primeiro-ministro, Passos Coelho, disse este domingo não ter «vontade de festejar» que Portugal esteja a fechar o programa de assistência e expressou a sua «enorme gratidão» aos portugueses pelos seus sacrifícios.

«Foi possível chegar aqui e evitar uma situação mais grave, porque trilhámos o nosso caminho e tomámos a nossas opções, e quero, com muita humildade, apresentar a minha enorme gratidão perante todos os portugueses, que, com todos os sacrifícios, fizeram que este pudesse vir a ser um momento de esperança para o futuro de Portugal», afirmou Passos Coelho.

No encerramento do XXXV Congresso do PSD, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, o líder social-democrata recusou, contudo, festejar o sucesso que considera ser o facto de o país estar a perspetivar a saída do programa de assistência económica e financeira e não um segundo resgate.

«Eu não quero festejar porque verdadeiramente nós não temos nenhuma vontade de festejar», disse Passos Coelho, sendo aplaudido pelo Congresso e perante o líder do parceiro de coligação e vice-primeiro-ministro Paulo Portas, que está presente na sessão de encerramento.

O líder social-democrata disse saber que «muitas pessoas no país ainda não sentem» no dia dia-a-dia a «melhoria da macroeconomia» e sublinhou que «um Governo que não tem noção dos sacrifícios do país nunca conseguirá governar de acordo com as aspirações dos cidadãos».

Contudo, Passos Coelho argumentou que, se em vez dessas «evoluções macroeconómicas», se verificasse o oposto, o Estado estaria nessa altura a preparar um segundo pedido de ajuda externa em vez de estar a "encerrar o pedido" feito em 2011.

«E isso faz toda a diferença para os portugueses, porque isso é muito concreto», declarou.

Passos frisou que «representaria para todos os portugueses uma péssima notícia» esse eventual segundo resgate, porque significaria «sacríficos incomparavelmente maiores» do que aqueles já feitos.

Segundo o presidente do PSD, a crise vivida no país não tem paralelo com os outros dois pedidos de ajuda externa efetuados nos últimos 40 anos pelo Estado português, tendo comparação apenas com a bancarrota que Portugal viveu no final do século XIX.