O eurodeputado Rui Tavares apelou esta sexta-feira ao sentido de responsabilidade dos partidos de esquerda nacionais para que se juntem nas eleições europeias deste ano, correndo o risco de, caso contrário, se assistir a uma validação da austeridade.

Numa conferência de imprensa de apresentação do congresso fundador do partido Livre, que arranca hoje no Porto, Rui Tavares disse acreditar que «a esquerda deveria ir junta» às eleições europeias «e o Livre está disposto a ajudar a que isso aconteça».

«Eu apelo ao sentido de responsabilidade das direções dos partidos de esquerda em Portugal, para que pensem no que seria, em termos de desânimo, em termos de abandono do povo que nós queremos defender, que depois destes três anos de austeridade, depois de três anos deste Governo e desta troika, a direita acabasse ganhando umas eleições e não umas eleições quaisquer, mas umas eleições tão simbólicas quanto as eleições europeias, ou seja, discutindo aquilo que está no cerne do que são os nossos problemas agora», afirmou o dinamizador do Livre, acompanhado por outro dos membros do grupo fundador do partido e do núcleo do Porto, Paulo Monteiro.

Para Rui Tavares, que lembrou que vão marcar presença no congresso representantes de diversos partidos convidados, esse «futuro possível» pode significar a «refutação» de todas as manifestações, petições, congressos e «comícios na Aula Magna» realizados ao longo dos últimos três anos.

Em relação à ideia de que uma coligação com um só partido pode pôr em causa a união da esquerda, Rui Tavares disse que a «ideia de que 'se um não quer os outros' não podem já matou muitas possibilidades de convergência em Portugal», sendo o que classificou como um «mito».

Por seu lado, Paulo Monteiro frisou que contam apresentar as assinaturas e os documentos necessários para a formação formal do partido no Tribunal Constitucional na próxima semana, havendo a expectativa de que o processo esteja concluído «a tempo das eleições europeias».

«Por natureza, o Livre é candidato a qualquer eleição, europeia, local ou legislativa», afirmou Paulo Monteiro, lembrando que «dentro do espírito da convergência» vão avaliar que contributo poderá ser dado a que tipo de «união ou coligação».