António José Seguro disse, esta quinta-feira à noite, que o país «não pode ter um primeiro-ministro sob suspeita». O líder do PS e candidato às primárias do partido defendeu que Pedro Passos Coelho «deve uma explicação aos portugueses».

De acordo com a Lusa, Seguro declarou não ser «aceitável haver dúvidas sobre se o primeiro-ministro recebeu ou não rendimentos fora da Assembleia da República», no período em que era deputado, entre 1995 e 1999. O líder socialista criticou ainda o primeiro-ministro por ter remetido para a Assembleia da República ou para a Procuradoria-Geral da República o esclarecimento da situação.

«O que os portugueses exigem é que seja o próprio a esclarecer se recebeu ou não durante esse período em que foi deputado. Não podemos ter um primeiro-ministro sob suspeita», insistiu Seguro, discursando perante cerca de um milhar de militantes em Fafe.

Para o dirigente socialista, «na República não há cidadãos acima da lei». «O primeiro-ministro deve ser um dos primeiros a dar o exemplo. Um primeiro-ministro só consegue merecer o respeito, a dignidade e a confiança dos portugueses se for capaz de explicar, com transparência, se recebeu ou não dinheiro durante esse período», disse.

O líder do PS prometeu confrontar, na sexta-feira, o primeiro-ministro com a situação. «Ele tem que o dizer, ele tem que o explicar e amanhã será confrontado por mim para explicar, preto no branco, se sim ou não», acentuou, insistido que um chefe do Governo «não se pode esconder atrás das instituições».

Muito aplaudido por militantes do distrito de Braga, pelo qual foi eleito deputado, Seguro sublinhou que também exige transparência no interior do PS. «Um governo por mim liderado terá a marca de uma fronteira clara entre aquilo que é a política e os negócios, porque só através do exemplo é que conseguimos recuperar a confiança dos portugueses e dar razões aos portugueses para acreditarem na política e no primeiro-ministro de Portugal», disse.

Continuando a falar para o interior do PS, Seguro disse estar mais bem colocado do que António Costa para unir o partido no período pós-eleições primárias. «Alguém acredita que quem dividiu a família socialista para sustentar uma ambição pessoal é aquele que, neste momento, está em melhores condições de unir o partido?», questionou, numa alusão ao adversário nas primárias de domingo.

«Quem está em condições de unir somos nós, os que, durante três anos, trouxemos o PS das derrotas para as vitórias», acrescentou o atual líder do PS.