O presidente do Governo Regional da Madeira manifestou na quarta-feira receio de que a economia nacional não esteja recuperada até junho, devido à austeridade, mas considerou que o país não pode «entrar num segundo plano de resgate».

«O meu receio é este, com esta austeridade atrás de austeridade, a economia portuguesa não estar suficientemente recuperada, porque os mercados não vão funcionar só pelo facto cronológico de haver o fim do ajustamento financeiro. Vão ver em que estado está este país, em que estado está a economia, que capacidade tem para se financiar nos mercados. Ora, se a economia estiver ainda mais destruída com esta austeridade, vamos ter um problema e não podemos entrar num segundo plano de resgate, isto é desesperante», disse Alberto João Jardim quarta-feira à noite, em entrevista à RTP Informação.

Comentando as palavras do chefe da missão do FMI para Portugal, que considerou que o país precisa de uma dose significativa de austeridade para conseguir pôr as contas em ordem, o governante respondeu que a austeridade «é algo de contraprodutivo», apontando como alternativas a reestruturação da dívida, o aumento da procura e a reforma do Estado.

Na entrevista, conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves e transmitida também pela RTP-Madeira, o chefe do executivo insular reiterou que se deve mexer na Constituição, anunciando que, depois da votação final da proposta do Orçamento do Estado para 2014, os deputados do PSD eleitos pela Madeira vão apresentar um projeto de revisão constitucional.

Sobre o guião da reforma do Estado, Alberto João Jardim classificou-o como «muito genérico», informando que, cada membro do seu executivo, vai estudar a área que lhe diz respeito, do qual sairá um documento que será entregue ao Governo, de coligação PSD/CDS-PP.

Questionado sobre as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros relativamente aos 4,5% de taxa de juro como condição essencial para Portugal evitar um segundo resgate, Alberto João Jardim saiu em defesa do governante, dizendo: «Neste momento, não tenho dados suficientes para dizer sim ou não. O que lhe quero dizer é que (...) se há pessoa séria, bem formada, se há uma mais-valia para este Governo é Rui Machete».

Quanto à proposta de Orçamento do Estado para 2014, Jardim declarou que não pode olhar para o documento e ver a situação do Estado a tentar ser recuperada «através dos pensionistas e dos funcionários públicos» e «a banca e as energéticas representarem 4 por cento do esforço nacional».

O também presidente do PSD/Madeira, que nas últimas eleições autárquicas perdeu sete das 11 câmaras da região, reconheceu, de novo, ter ficado surpreendido com o resultado, que atribui, por exemplo, à insatisfação legítima da população, decorrente do desemprego e dos cortes nos salários ou pensões.

Alberto João Jardim admitiu ainda dificuldades em «passar a mensagem» por parte do PSD/M e também que os eleitores possam estar cansados da sua governação.

«Estou há 35 anos no Governo, é muito tempo, por muito positiva que seja a obra», disse, garantindo que a eventual antecipação das eleições no PSD/M, como defende o ex-presidente da Câmara Municipal e candidato à sua sucessão, Miguel Albuquerque, é «uma discussão encerrado».

Recusando falar da sua preferência entre Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes para uma suposta candidatura à Presidência da República, Alberto João Jardim, à pergunta se gostaria de ser candidato a um lugar no Parlamento Europeu declinou, justificando: «Já não tenho idade para ser emigrante».