O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, acusou hoje o Governo de ter «esqueletos escondidos no armário» com o Orçamento do Estado (OE) e um eventual chumbo do Tribunal Constitucional (TC) de algumas das suas medidas.

«Há claramente alternativas a estas escolhas do Governo», disse o bloquista, criticando a «enorme preocupação» do executivo com o TC, o que «demonstra que [o Governo] sabe que tem esqueletos escondidos no armário».

Pedro Filipe Soares falava aos jornalistas depois do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter desafiado os partidos da oposição a apresentarem uma proposta de Orçamento do Estado (OE) alternativa ao do Governo que permita, contudo, a redução do défice para 4%.

O Bloco, disse o seu líder parlamentar, apresentará na quarta-feira um conjunto de propostas para o Orçamento do próximo ano e bater-se-á por elas no trabalho parlamentar de modo a enfrentar um documento com «4% austeridade sobre grandes grupos económicos e banca e 96% sobre pessoas, salários, pensões, apoios sociais».

O primeiro-ministro defendeu hoje também que «a indefinição» sobre a «exequibilidade das medidas» do Governo «custará a descida das taxas de juro» e pode criar »um stresse elevado que dificultará o final do programa de assistência económica e financeira».

«A indefinição sobre o que se vai passar nos próximos meses, que não do lado do Governo ou da maioria, mas do lado da exequibilidade das medidas, evidentemente, custará a descida das taxas de juro a médio e longo prazo e, no limite, criará um stresse elevado que dificultará o final do programa de assistência económica e financeira», afirmou Pedro Passos Coelho.

O chefe de Governo falava no encerramento das jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP, na Assembleia da República.