O PCP assinalou esta terça-feira o agravamento do défice em cerca de mil milhões de euros relativamente a agosto do ano passado, recusando a ideia do Governo que a economia está a recuperar.

«Há um agravamento do défice em cerca de mil milhões de euros relativamente ao mesmo período do ano passado», afirmou o deputado do PCP João Oliveira, em declarações aos jornalistas no Parlamento a propósito dos dados hoje divulgados pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

Segundo a DGO, o défice orçamental das administrações públicas atingiu os 4.794,8 milhões de euros até ao final de agosto, contabilizado segundo os critérios da troika, o que representa uma melhoria de 424 milhões de euros face a julho.

A melhoria registada este mês verifica-se sobretudo com as contas dos serviços e fundos autónomos (com autonomia financeira) do Estado, que apresentam um saldo mais positivo, assim como da Segurança Social, com um excedente superior em mais de 300 milhões de euros face ao registado em julho.

No final, Portugal apresenta uma margem de 2.505,2 milhões de euros para cumprir a meta do défice trimestral estipulada pela 'troika' para o terceiro trimestre do ano, atualmente nos 7.300 milhões de euros. Este é um objetivo considerado estrutural e cujo incumprimento permite à 'troika' inviabilizar o próximo desembolso do empréstimo internacional.

Sublinhando que «o défice só não é maior devido ao saco fiscal em relação aos salários e às pensões que acaba de ser traduzido num aumento de cobrança do IRS em cerca de 30 por cento, quando comparado com o mesmo período do ano passado», o deputado comunista considerou que os dados da DGO são «um desmentido da propaganda governamental» em torno do crescimento e da recuperação económica.

Pois, explicou, os dados relativos aos impostos que estão mais diretamente relacionados com a economia, como o IVA e o imposto sobre os produtos petrolíferos, acentuam as quedas registadas nos primeiros sete meses do ano.

Por exemplo, especificou, o IVA nos primeiros sete meses do ano registou uma queda de 1,7 por cento e de julho para agosto viu essa queda agravar-se em 2,1 por cento.

«Isto confirma que a economia portuguesa continua a afundar-se», registou a Lusa.

O líder comunista acusou hoje o Governo da maioria PSD/CDS-PP e os sociais democratas de fazerem «contabilidade criativa», referindo-se aos últimos números conhecidos da execução orçamental conhecidos.

«Bem pode o Governo manipular os números, bem pode aplicar a chamada contabilidade criativa que aquilo que é relevante é que o défice, nos primeiros oito meses deste ano, agravou-se em mil milhões de euros», afirmou Jerónimo de Sousa.