A coordenadora do BE disse este sábado que «o que não tem força nem verdade» são os compromissos de Paulo Portas e da coligação governamental, referindo-se às explicações do líder do CDS sobre a crise política do verão.

«Havia linhas vermelhas sobre os pensionistas, mas o que teve de ser teve muita força e as linhas vermelhas desapareceram. O CDS era o partido dos contribuintes contra o esbulho fiscal mas o que teve de ser teve muita força e agora é o partido de todo o esbulho fiscal. Era o partido dos pensionistas e agora é o partido de todo o ataque aos pensionistas», afirmou Catarina Martins, no encerramento da IV Convenção Regional do BE/Açores, em Ponta Delgada, referindo-se às explicações de hoje de Paulo Portas para permanecer no Governo depois de, em julho, ter dito que se demitia de forma «irrevogável».

Para Catarina Martins, aquilo que se sabe hoje é que «o que não tem força nem verdade é qualquer compromisso de Portas, do CDS, do PSD ou de Pedro Passos Coelho».

«O que não tem de ser é um Governo de dissimulação permanente, de desculpabilização com o passado ou com o tratado orçamental, quando, de facto, é um instrumento da política que quer, que é a política de empobrecimento do país«, acrescentou.

Catarina Martins lamentou que o Governo permaneça no poder apesar de ter falhado todas as metas e objetivos e continue a falhar «todos os dias todos os compromissos».

Dizendo que permanece «pela austeridade«, «pela troika» e «pela ideia de que não há nada para lá da austeridade, da troika, de retirar democracia e de retirar decisão«, que impera na Europa, a coordenadora do BE apelou à mobilização nas próximas eleições europeias, em maio deste ano, que considerou fundamentais na luta por uma União Europeia diferente, «solidária».

Catarina Martins sublinhou diversas vezes que a austeridade «é incompatível com a democracia» e também «conservadorismo, recuo, obscurantismo e recusa da modernidade».

A este propósito deu como exemplos o caso da revisão da legislação do aborto em Espanha, mas também as propostas das «jotas autoritárias«: a da JSD para um referendo sobre a coadoção e a da JP para a diminuição da escolaridade.

Além da luta pela modernidade e do «resgate da democracia», Catarina Martins considerou que estará também «no centro» da campanha para as europeias a «clarificação» das propostas de cada força política, sobretudo as de esquerda.

O BE, afirmou, nunca abandonará «o espaço da esquerda« em que se inscreve e que «defende os direitos sociais e individuais» e «todas as liberdades«.

«Não há no Bloco nenhum fechamento ou bloqueio à esquerda. O BE tem estado sempre em todas as uniões, em toda a convergência que permite políticas de esquerda. Nunca faltou», disse, acrescentando a seguir: «Temos sim um problema, quando alguém diz querer políticas de esquerda e passa o pano por cima da austeridade, tendo a ilusão de que pode haver austeridade 'light', boazinha, simpática ou em tons mais pastel».

Catarina Martins sublinhou que o BE foi sempre contra as privatizações ou os ataques a quem vive do seu trabalho, «estejam eles num PEC do PS, num memorando da troika ou num orçamento PSD/CDS».