O secretário-geral do PS acusou o primeiro-ministro de estar a esconder informação aos portugueses, após o presidente do Banco Central Europeu ter afirmado que Portugal precisará de um programa de apoio para regressar aos mercados.

«Isto significa que o primeiro-ministro, que na semana passada fez declarações sobre esse efeito, escondeu alguma coisa dos portugueses. O que o primeiro-ministro está a esconder dos portugueses? É que o neste momento faz sentido perguntar», disse aos jornalistas o líder socialista, após um encontro de duas horas com associações de estudantes do Ensino Superior, no auditório da cantina I da Universidade de Lisboa.

O secretário-geral do PS considerou «relevante» esta posição de Mário Draghi, dizendo «categoricamente que Portugal vai dispor de um programa de apoio para regressar a mercados».

Seguro referiu ainda que Pedro Passos Coelho, em declarações que proferiu na semana passada, «disse que só a partir de 27 de janeiro é que Portugal começaria a trabalhar no sentido de saber se precisa ou não de um programa».

«Mas hoje o presidente do BCE garantiu que Portugal vai ter um programa. Ora, que programa é esse e o que o Governo já começou a trabalhar com as instituições europeias, mas que os portugueses ainda desconhecem?», questionou António José Seguro.

Passos «fugiu» de debate

O secretário-geral do PS afirmou também que o primeiro-ministro entendeu «fugir» a um debate a dois num espaço público, considerando que seria muito esclarecedor para os portugueses se houvesse um frente-a-frente sobre a situação do país.

«Logo na sexta-feira o primeiro-ministro disse que esse debate será no parlamento e eu lamento, porque considero que seria muito importante e muito esclarecedor para os portugueses que pudéssemos ter um debate sobre a situação do país e, sobretudo, como olhamos para o futuro de Portugal. Ele entendeu fugir a esse debate, está no seu direito, mas lamento», reagiu o líder socialista, quando questionado se já recebeu resposta do primeiro-ministro para um debate a dois, com igualdade de tempos de intervenção, num espaço público.

De acordo com o secretário-geral do PS, esse frente-a-frente com Pedro Passos Coelho teria «a disponibilidade de meios de comunicação social, designadamente de televisão, no sentido de o organizar».

Interrogado se já voltou a falar com o primeiro-ministro desde o debate quinzenal, na Assembleia da República, sobre a procura de um consenso em torno da reforma do IRC, o líder socialista respondeu imediatamente: «Ainda não voltámos a falar.»