O eurodeputado Nuno Melo acusou este sábado o líder da tendência do CDS-PP Alternativa e Responsabilidade (AR), Filipe Anacoreta Correia, de estar na «trincheira errada», reproduzindo os argumentos do PS contra os centristas.

«Custa-me que cada vez que os socialistas nos atacam tu aqui lhes reproduzas os argumentos. Custa-me porque te vejo na trincheira errada e porque o fogo amigo também mata. Sendo que o fogo amigo tem de ser involuntário e o teu não é, ou se é, não parece», afirmou Nuno Melo.

Numa intervenção para apresentar a moção de estratégia sobre a Europa perante o XXV Congresso do CDS-PP, que decorre hoje e domingo em Oliveira do Bairro, Nuno Melo defendeu também a «excecionalidade» de os centristas concorrerem coligados com o PSD às eleições europeias.

O eurodeputado, que levantou o Congresso duas vezes, recusou ainda, perante Anacoreta Correia, que apenas os seus apoiantes sejam «gente livre» no partido.

«Para começo de conversa, eu não sou cativo de ninguém, nem me consta que o doutor Paulo Portas durante tantos anos venha sendo eleito por uma maioria de cativos no CDS-PP. É por uma maioria de gente livre, de gente que pensa e de gente que sabe o que quer», afirmou, sendo aplaudido de pé.

Segundo Nuno Melo, a saída do CDS-PP do Governo não beneficiaria Portugal, beneficiaria o PS, a quem acusou, citando a antiga primeira-ministra Margaret Thatcher, de gastar «o dinheiro todo».

«O socialismo é muito bom até se acabar o dinheiro dos outros», afirmou, citando a antiga chefe de Governo do Partido Conservador britânico.

Nuno Melo argumentou, por outro lado, que, no «quadro de verdadeira excecionalidade» que o país vive, com as eleições europeias a decorrerem (a 25 de maio) uma semana depois da anunciada saída da troika (17 de maio), a coligação pré-eleitoral para esse ato eleitoral também tem a ver com a «estabilidade governativa».

O eurodeputado defendeu que Portugal é agora «comparado com a Irlanda, que é uma pátria honrada, que paga o que deve».

«Mostremos à Europa que somos uma nação respeitada, o que implica solidariedade no Governo e responsabilidades conjuntas», afirmou, defendendo a coligação, apesar de «adorar estar a na rua a gritar 'CDS'», mas considerando que é antes preciso gritar 'Portugal'.

O eurodeputado Diogo Feio, que apresentou igualmente a moção sobre a Europa, defendeu a necessidade de o CDS «assumir um discurso europeu, de uma forma clara e positiva», não se perdendo em «discussões estéreis» acerca, por exemplo, de um maior ou menor federalismo.

«Federalismo ou se tem ou não se tem», disse.

«É necessário mais Europa», defendeu, considerando que, como cumpriu, Portugal deve pedir «mais Europa e menos erros».

Diogo Feio defendeu a união bancária, mais governo económico e mais integração, com «sentido crítico» face às agências de rating e «sentido crítico» face à troika.

Sobre a sua posição nas listas ao Parlamento Europeu, disse apenas: «O que se tem de saber a seu tempo, a seu tempo saberá. Uma coisa podem ter a certeza, estarei sempre aqui ao vosso lado.»