O candidato a secretário-geral do PS, António Costa, expressou este sábado preocupação com as consequências da instabilidade no Novo Banco para a economia portuguesa. Costa reagia em Bragança à notícia da intenção da equipa de gestão do Novo Banco, liderada por Vítor Bento, de renunciar aos cargos desempenhados na administração da entidade, afirmando que esta saída «é mais um sinal da instabilidade que existe».

«Estou, sobretudo preocupado com o impacto que tenha na economia real», realçou, acrescentando que «só o Banco de Portugal tem boas condições para informar e dar garantias do que está a acontecer».

O socialista enfatizou que «o BES [Banco Espírito Santo] era um banco com profunda ligação à economia real e tudo o que seja perturbar a estabilidade do sistema financeiro cria, agrava, fatores de incerteza».

«Infelizmente, o país já tem um excesso de fatores de incerteza e precisamos de fazer um grande esforço para reforçar a confiança nas instituições, mas também a confiança na nossa economia», declarou, citado pela Lusa.

A equipa de gestão do Novo Banco confirmou este sábado, em comunicado,confirmou este sábado, em comunicado, que durante a semana apresentou ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos desempenhados na administração da entidade.

No dia 3 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES e anunciou a separação da instituição em duas entidades distintas: o chamado «banco mau», um veículo que mantém o nome BES mas que está em liquidação, e o «banco bom», o banco de transição que foi chamado de Novo Banco.

António Costa falava aos jornalistas à margem de uma visita a uma empresa local de fumeiro, a Bísaro, um negócio familiar que começou há três gerações com uma taberna à beira da estrada, em Gimonde (Bragança) e é atualmente um grupo da restauração, turismo rural e carnes e enchidos com 40 postos de trabalho e exportações para 12 países.

O candidato à liderança do PS disse que «é muito importante valorizar o trabalho de empresas e dos empresários que estão a fazer um enorme esforço para numa situação de crise generalizada manterem as suas empresas, fazerem os investimentos que são necessários, apostar na valorização dos seus produtos, partirem à conquista de novos mercados, arranjarem nova capacidade de exportação».

O melhor contributo, continuou, «que todos os agentes políticos e institucionais podem dar é ajudar a reforçar a confiança».

«Não podemos viver nesta incerteza de que quem trabalha não sabe quanto vai ganhar no mês a seguir, quem vive da pensão não sabe que pensão vai receber no mês a seguir, nenhum empresário sabe que condições fiscais vai ter no mês a seguir e é preciso devolver estabilidade, confiança para que a economia possa crescer», vincou.

Costa insistiu no exemplo da empresa que visitou hoje em Bragança para defender que é assim que será possível «transformar o país e, designadamente, o interior».

«Não é empobrecendo coletivamente, mas é valorizando de forma a criar mais riqueza e mais postos de trabalho e aqui é um exemplo de como começando numa pequena taberna de beira de estrada temos agora um grupo que já tem 40 postos de trabalho, que prosseguiu a sua tradição, valorizando através da inovação», reiterou.