O vice-primeiro-ministro e o ministro da Presidência disseram esta quinta-feira que o Governo se opõe a um modelo de baixos salários e tem recusado propostas de redução salarial feitas pelo Fundo Monetário Internacional.

Mota Soares: ajustamento salarial no setor privado «já foi feito»

Na conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, a propósito do relatório do FMI divulgado na quarta-feira, Paulo Portas observou: «Quando os portugueses lêem certas afirmações de uma das entidades da missão externa e as interpretações que sobre elas são feitas podem perceber melhor como o Governo tem razão quando define como prioridade terminar o programa, reaver a nossa autonomia financeira e sermos senhores do nosso destino».

Já o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares considerou que este relatório do FMI «não tem rigorosamente nada de novo», acrescentando: «Nos últimos exames regulares, tem havido por parte da troika, e particularmente da parte do FMI, propostas no sentido de se entender que deveria haver uma redução de salários, e nomeadamente o salário mínimo nacional, à qual o Governo tem tomado uma posição firme de oposição».

No mesmo sentido, Paulo Portas afirmou que «em certas matérias as posições do Governo português e do FMI são diferentes: uma delas, como já foi aqui referido, tem a ver com os custos do trabalho».

«Nós não acreditamos num modelo de salários baixos. O setor privado já ajustou, temos uma posição diferente do FMI nesta matéria. Eu acho isso saudável do ponto de vista da transparência», acrescentou.

Segundo o vice-primeiro-ministro, «o facto de o primeiro-ministro ontem ter mostrado uma abertura com cautela à questão do salário mínimo nacional no quadro de negociações sociais que hão-de começar para o ano releva a posição do Governo português nessa matéria».

De acordo com Paulo Portas, «o que ficou de ser estudado» pelo do executivo PSD/CDS-PP «são matérias relativas à estrutura dos custos do trabalho» em Portugal. «O Governo tem muita evidência de que o setor privado já ajustou e de que muitas empresas querem os seus colaboradores motivados, portanto, não tememos esse estudo», concluiu.