O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defende que «o normal e expectável» será que CDS e PSD concorram separados às legislativas de 2015, mas remete para um «tempo próprio» essa reflexão, bem como sobre as presidenciais de 2016.

Na moção que apresentará ao Congresso do CDS-PP, a 11 e 12 de janeiro, Paulo Portas nunca se refere à crise política do verão, mas apenas à remodelação que dela resultou e na qual - depois de ter pedido a demissão, que não foi aceite - passou de ministro dos Negócios Estrangeiros a vice-primeiro-ministro.

Sobre as eleições europeias de 25 de maio, Paulo Portas garante que honrará o compromisso firmado com o parceiro de coligação de apresentarem uma lista conjunta.

«Depois da remodelação do Governo, em ordem a reforçar a coesão da maioria, os líderes do PSD e do CDS comprometeram-se a propor aos respetivos partidos a apresentação de uma lista conjunta nas eleições europeias. Honraremos esse compromisso e o Congresso deve confirmá-lo», refere.

Portas justifica que a opção por listas conjuntas é «consequência da excecionalidade» que o país vive e de o sufrágio acontecer uma semana depois do fim do programa da troika, para o qual aponta a data de 17 de maio.

«O Congresso deve mandatar o presidente do partido e a direção eleita para, no momento próprio, fazerem a negociação programática e da lista, que deverão ser aprovadas em Conselho Nacional», apela.

Referindo que o 25.º Congresso do CDS-PP, que vai decorrer em Oliveira do Bairro, «não é o tempo próprio» para abordar as eleições legislativas (nem as presidenciais), Paulo Portas deixa, contudo, a sua perspetiva atual sobre o assunto.

«Dir-se-á apenas, neste momento, que o normal e expectável, em eleições legislativas, é cada partido apresentar-se autonomamente. Havendo um Governo de coligação, razões muito fundamentadas podem justificar a formulação de alianças, que podem revestir diversas fórmulas», refere.

Recentemente, o primeiro-ministro disse «ser natural» que os dois partidos concorrerem coligados às legislativas de 2015, apesar de frisar ainda não ter falado com Paulo Portas sobre a matéria.

O texto da moção hoje divulgado é uma versão atualizada da moção inicialmente apresentada a 18 de junho e mantém o mesmo nome: «Responsabilidade e Identidade».

PS ainda não fez «qualquer revisão crítica» da sua governação

Na mesma moção, Paulo Portas, criticou o Partido Socialista por não ter ainda feito «qualquer revisão crítica» dos seus anos de governação e apelou à classe média para que não desperdice os sacrifícios já feitos.

«Quanto mais se aproxima o fim do programa, mais a esquerda democrática se coloca numa situação delicada: a classe média não quererá desperdiçar o caminho já feito», alertou Paulo Portas, na moção.

O líder do CDS sublinhou que «a classe média é a primeira interessada em que Portugal não repita mais políticas financeiramente irresponsáveis». «Ora, não deixa de ser pertinente lembrar que, até hoje, o PS não fez qualquer revisão crítica dos seus anos de governação», criticou.

Ainda assim, Portas reafirmou a importância de tentar consensos com o maior partido da oposição.

«Para a grande maioria dos portugueses é incompreensível que, com quase dois anos da legislatura para completar, e na situação de emergência em que Portugal ainda está, a negociação política - ao contrário do espírito de diálogo social - seja tão frágil e escasso», referiu, apelando a uma «revigorada aposta na concertação social» em janeiro de 2014 em matérias como o guião da reforma do Estado e o salário mínimo.

Dizendo não querer contribuir para a «crispação política», o líder do CDS, sem referir nomes, condenou o que diz serem «afirmações que legitimam o uso da violência», sobretudo «quando têm origem em personalidades que exerceram elevadas responsabilidades de Estado».