O presidente do PSD e primeiro-ministro, afirmou esta sexta-feira acalentar a «ambição» de poder «continuar a guiar os destinos do país nos próximos anos», dizendo ter «orgulho» no partido e a «consciência tranquila» como chefe de Governo.

Passos vaiado à entrada do Coliseu de Lisboa

«Tenho muito orgulho no meu partido, tenho a consciência tranquila de, como primeiro-ministro, pela vontade do país e pela vossa vontade, estar a cumprir uma missão que o país necessita seja bem-sucedida», disse Pedro Passos Coelho, na sua intervenção na abertura do XXXV Congresso do PSD, no Coliseu dos Recreios de Lisboa.

«Acredito que nestes dois dias de Congresso que temos à nossa frente saberemos mostrar ao país que não foi um acaso termos conseguido chegar onde chagámos, e não será um acaso acalentarmos a ambição de poder continuar a guiar os destinos do país nos anos próximos em que o país ainda precisa de nós», declarou.

Passos Coelho sustentou ainda que o país melhorou nos últimos dois anos e que a oposição está zangada por temer que isso seja a sua desgraça eleitoral.

«Julgo que ninguém tem dúvidas de que estamos melhor, mas pagou-se um preço muito elevado por estarmos melhor», defendeu.

Entre outros indicadores, o presidente do PSD e primeiro-ministro referiu que o défice estrutural foi «significativamente» reduzido e que o desemprego começou «paulatinamente» a diminuir, questionando: «Porquê então esta vontade que, por vezes, no espaço público existe de não reconhecer que estamos melhor?».

«Não vale a pena ter papas na língua: se o país estiver melhor, então aqueles homens e mulheres que estão pelo Governo ainda pensam que podem ter a possibilidade, ainda que remota, de ganhar umas eleições, e isso é muito mau para quem está na oposição, porque, depois do que passou, das medidas difíceis que foram tomadas, o que era natural e expectável para a oposição era derrotar o Governo», sustentou, em seguida.

«Por isso é que hoje a oposição está zangada com o que se passa no país: porque não só não ajudou a que a nossa recuperação pudesse ser melhor como acha que, se recuperarmos, isso pode ser a sua desgraça eleitoral», acrescentou Passos Coelho.

Passos Coelho recusa abrir debate constitucional

O presidente do PSD recusou abrir um debate constitucional, apesar de defender uma Lei Fundamental diferente, considerando que a prioridade é a recuperação económica e social.

«Lutámos muito para que pudéssemos ter uma Constituição melhor e conseguimos ter uma Constituição melhor. Ainda não temos a Constituição que, do nosso ponto de vista, mais se ajustava às nossas necessidades de hoje, mas fiquem descansados, é mais importante hoje recuperar economicamente e socialmente o país do que iniciar um debate constitucional», argumentou.

«Não iremos perder tempo, portanto, agora com esse debate», sublinhou.

Passos Coelho disse que, apesar de não querer abrir esse debate, prosseguirá o que o PSD fez «durante o tempo de Cavaco Silva também, que é dar a oportunidade aos portugueses de poderem ascender a uma prosperidade que não seja uma prosperidade artificial, cheia de dívida e de mentiras».