O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, advertiu hoje que o país não terá «um milagre económico» quando sair do programa de ajustamento financeiro e disse que lutará para garantir a governabilidade e estabilidade.

«Sabemos que não teremos um milagre económico em maio deste ano. Que quando fecharmos o período de assistência económica e financeira ainda teremos desafios muito importantes para enfrentar, seja ao nível do desemprego, seja ao nível da coesão social, coesão territorial e recuperação económica», afirmou, dizendo que o objetivo é «fechar um tempo de crise e iniciar um tempo de recuperação».

Pedro Passos Coelho falava na sede do PSD, em Lisboa, após terem sido anunciados os resultados das eleições diretas, que venceu, sem adversários, com cerca 88 por cento dos votos, quando faltavam apurar 32 secções.

Manifestando «redobrado ânimo», Passos Coelho disse que se comprometeu perante os militantes do PSD, durante a campanha interna, a lutar «neste novo ciclo político para garantir condições de governabilidade para Portugal e de continuação do caminho de recuperação».

Segundo o primeiro-ministro, o Governo está «a chegar aos objetivos a que se propôs».

«O PSD prosseguirá o seu papel de partido que é, nestes 40 anos de democracia, de referência, da estabilidade política em Portugal e ao mesmo tempo da mudança necessária para que o país possa progredir e atingir níveis de prosperidade mais elevados», disse.

Pedro Passos Coelho defendeu que aquele objetivo «exige dos partidos», e «do PSD à cabeça, um esforço maior de responsabilidade política, de transparência política e de mobilização da sociedade».

«Os governos não podem prosseguir as mudanças sozinhos, os partidos não podem estar isolados da sociedade», considerou.

Questionado pelos jornalistas sobre se mantém a afirmação «que se lixem as eleições», que proferiu em julho de 2012, numa altura em que se aproxima as eleições europeias, Passos Coelho respondeu que o Governo irá «manter o rumo que traçou».

»O Governo não deixará de fazer aquilo que tem de fazer por pensar nas eleições e acho que essa é a melhor condição para as disputar», disse.

Muitos cortes são transitórios

O líder do PSD afirmou também que muitos dos cortes realizados pelo Governo serão «transitórios» na medida da recuperação da economia, mas avisou que não regressarão «os níveis de riqueza ilusória».

«Não enfrentaremos o futuro pensando que todos os cortes que tivemos de fazer permanecerão. Muitos deles são transitórios, na medida em que dependerão agora da forma como a nossa economia vier a recuperar. Mas não temos condições nesta altura para fixar uma data precisa no nosso calendário para repor seja pensões, seja salários», afirmou.

O líder social-democrata e primeiro-ministro do Governo PSD/CDS-PP defendeu que «qualquer político que queira fazer campanha eleitoral prometendo regressar a níveis de rendimento anteriores não estará a fazer mais do que demagogia fácil».

«A nossa recuperação de rendimento dependerá da riqueza que conseguiremos criar», afirmou, manifestando expectativa numa «recuperação gradual», seja na área pública, seja na área privada.

Terceiro mandato à frente do PSD

Passos Coelho foi reeleito presidente do PSD com 88 por cento dos votos dos militantes sociais-democratas, quando faltavam apurar 32 secções, anunciou o presidente do Conselho de Jurisdição Nacional.

Numa declaração aos jornalistas, na sede do PSD, Lisboa, cerca da meia-noite, Calvão da Silva anunciou que Pedro Passos Coelho «foi eleito com 15.524 votos, quando faltavam apurar 32 secções», o que representaria «cerca de 88 por cento dos votos».

Segundo Calvão da Silva, num universo de 46.430 eleitores, votaram 17.662 sociais-democratas. Disse ainda que se registaram 1492 votos em branco e 646 nulos.

Os sociais-democratas elegeram também 690 delegados ao XXXV Congresso, que está marcado para os dias 21, 22 e 23 de fevereiro, no Coliseu de Lisboa.