António Costa diz que só não avançou antes para a liderança do PS porque achou sempre que havia alguém melhor colocado para avançar. Foi desta forma que o presidente da Câmara de Lisboa, candidato à liderança dos socialistas, explicou esta noite no Jornal das 8 da TVI a decisão de avançar contra António José Seguro.

«Sempre disse que não seria candidato sempre que houvesse alguém que estivesse em melhores condições para o ser», afirmou António Costa, nesta segunda-feira.

«A última coisa que eu gostaria de fazer era enfraquecer o PS», argumentou o candidato socialista, para quem «a gota de água» foram as europeias.

«A pior coisa que o PS podia fazer era enfiar a cabeça» na areia e satisfazer-se com essa «vitória», sustentou.

«Os eleitores disseram duas coisas» nas eleições de 25 de maio, que não querem mais «esta política» e que «ainda não encontraram uma alternativa a este Governo», analisou, realçando que o PS precisa de «assumir de frente este problema».

«O país precisa de consensos importantes, que só serão possíveis com uma solução política forte», defendeu. E, neste momento, frisou, «a enorme fragmentação e fragilização da base política do PS compromete uma solução política forte».

«O PS tem de ter a ambição de formar um Governo e de não ser só uma solução de Governo», destacou, assegurando que «o PS não está esfrangalhado» e que «sairá deste processo [de escolha do líder] mais fortalecido».

Confrontado com as críticas de Seguro, limitou-se a dizer que não tenciona «registar» certas coisas e ainda que não tem «nenhum problema pessoal com António José Seguro».

O autarca de Lisboa vai, agora, «apresentar a candidatura formal à liderança do PS assim que os órgãos do partido fixarem o calendário».

António Costa espera que o PS encontre uma solução interna até ao verão, reconhecendo que, embora preferisse uma opção «mais rápida», as eleições primárias, método proposto pelo atual secretário geral do PS, António José Seguro, para decidir quem será o candidato socialista nas próximas eleições legislativas, «não são» um problema.

«Desejavelmente, não deveríamos chegar ao verão sem ter uma solução», afirmou, considerando que as primárias «não são um problema», mas que, antes ou depois, «terá sempre de haver congresso».

Costa anunciou que estará presente na reunião da comissão política nacional do PS marcada para quinta-feira, da qual deverá sair uma decisão sobre o modelo interno para escolher o candidato do partido a primeiro-ministro.

Se, como espera, da reunião resultar uma decisão, Costa formalizará a candidatura à liderança socialista logo na sexta-feira e apresentará as suas bases programáticas.