A coordenadora do Bloco de Esquerda considerou, este sábado, que a discussão sobre a saída de Portugal do programa de assistência financeira tem «pouco sentido», porque «não há saída» e continua a «agudização da austeridade» e o «empobrecimento» do país.

«Esta discussão sobre a saída tem sido feita com pouco sentido. O que sabemos é que não há saída, nem limpa, nem cautelar», disse Catarina Martins aos jornalistas, em Beja, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja.

A última semana «provou isso mesmo», disse a coordenadora do BE, citada pela Lisa. Catarina Martins referiu que a troika esteve em Portugal «a mexer nas reformas, nos impostos, nas contribuições pagas pelos trabalhadores para o futuro, não saiu. Está cá e o que vemos é a agudização da austeridade, o empobrecimento do país a continuar».

«Saída limpa talvez só para os milionários que foram sendo criados ao longo destes anos de troika, para as fortunas que aumentaram, para o sistema financeiro que se sentiu resgatado», afirmou.

Quem «trabalha e vive» e quem «quer trabalhar» em Portugal, «de facto, o que vê é que, com este Governo e com esta política, mantém-se a troika, a austeridade e por décadas», lamentou.

«Não há nenhuma saída limpa sobre a destruição do país e se continuamos a aceitar a imposição em Portugal das políticas do BCE, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional», defendeu.

Por outro lado, «eles reconhecem que vão estar» em Portugal «todos os anos para fiscalizar o país e podem até impor multas se não gostarem do rumo da política», frisou.

Catarina Martins lembrou também que PS, PSD e CDS-PP aprovaram o Tratado Orçamental, que não é europeu, mas intergovernamental, que «impõe a austeridade durante gerações».

«Aceitando esta política, estas imposições», como «mais impostos» e «mais contribuições sobre os rendimentos dos trabalhadores», «não há nenhuma saída e, pelo contrário, a austeridade agudiza-se e o empobrecimento permanece», frisou Catarina Martins.

Questionada sobre qual a forma de saída de Portugal do programa de assistência financeira que o primeiro-ministro irá anunciar no domingo, Catarina Martins disse que «não tem nenhum sentido especular sobre as palavras» de Pedro Passos Coelho, porque, «é muito dado a dizer uma coisa e depois acontecer o contrário».