As 17 urnas do concelho de Murça não abriram porque os elementos nomeados para a constituição das mesas não comparecerem num ato de indignação contra o encerramento de serviços e a possível introdução de portagens na Autoestrada Transmontana.

Manuel Alves, 72 anos, era um dos elementos convocados para uma das assembleias de voto da freguesia de Jou mas recusou-se a aparecer esta manhã para a abertura da urna porque, segundo afirmou, «não concorda com os encerramentos que estão a fazer no concelho de Murça».

Segundo o presidente da Câmara de Murça, José Maria Costa, nenhuma das 17 mesas de voto do concelho abriu esta manhã.

Em todo o concelho transmontano, nenhum partido nomeou elementos para a constituição das mesas de voto até ao dia 08 de maio, o prazo legal, obrigando o presidente do município, o socialista José Maria Costa, a fazer a convocação das 85 pessoas necessárias, a maior parta das quais renunciou e não apareceu esta manhã.

O presidente da Junta de Jou, Carlos Silva, abriu as portas do edifício às 06:50 e até às 08:00, segundo salientou, não apareceu ninguém, pelo que se não se reuniram as condições para o ato eleitoral.

O autarca encara a falta dos elementos como um «ato de indignação» contra o encerramento de serviços no concelho bem como a já anunciada introdução de portagens na Autoestrada Transmontana, que foi construída sobre o Itinerário Principal 4 (IP4).

«Estamos sujeitos a ficar sem todos os serviços que aqui se encontram. Este ato vem de encontro ao abandono em que o poder político tem transformado este recanto do país», salientou Carlos Silva.

Maria Celeste, 83 anos, foi uma das poucas pessoas que esta manhã apareceu na junta de Jou para votar, mas encontrou as urnas fechadas.

«Não sabia que isto estava fechado. Eu vinha votar mas se isto não abre não voto», salientou.

O presidente da Câmara de Murça, José Maria Costa, afirmou que este é um ato inédito no país, já que não tem conhecimento de que alguma vez não se tenham realizado eleições em todo um concelho.

«Provavelmente não temos mesmo eleições em Murça porque uma hora depois da abertura das mesas de voto não apareceu qualquer elemento designado», frisou.

O autarca deduz que esta ação dos elementos e da própria população aconteceu devido à indignação contra «tudo aquilo que tem acontecido nos últimos tempos neste concelho e em todos os concelhos do interior».

«O interior está a ser deixado ao abandono por parte do nosso Governo central. Aqui, em concreto, temos o possível encerramento das extensões de saúde, o tribunal, o serviço de finanças e temos em risco a segurança social e agora, também, a introdução de portagens da A4», sublinhou.

Em todo o concelho de Murça estão inscritos cerca de 7.000 eleitores.