Atualizado às 12.07

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afastou hoje em definitivo a possibilidade de um terceiro mandato à frente do executivo comunitário, confirmando assim que abandona o cargo em outubro próximo, no final do segundo mandato. Já Juncker foi designado como candidato à sucessão de Durão Barroso.

Durão Barroso em entrevista exclusiva à TVI

«Não. Está fora de questão», disse, à chegada ao congresso do Partido Popular Europeu (PPE), em Dublin, quando questionado pelos jornalistas portugueses sobre a disponibilidade para cumprir um terceiro mandato à frente da Comissão Europeia.

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia desde 2014, participa hoje em Dublin no congresso do PPE que vai eleger o candidato desta família política de centro-direita a presidente da Comissão Europeia, e que deverá ser o luxemburguês Jean-Claude Juncker.

O português disse ter vivido dois mandatos, «dez anos», num cargo «extremamente duro e difícil»: «Foram cinco anos de crise como nunca tinha acontecido e eu acho que o bom senso manda que a pessoa ao fim de algum tempo faça outra coisa, está absolutamente fora de questão».

«Houve alguns chefes de Governo que mo perguntaram, mas repare, nunca ninguém fez mais que dez anos à frente da Comissão Europeia e nestas condições tão exigentes», acrescentou Barroso.

Questionado sobre o facto de poder haver um impasse entre os líderes europeus no Conselho para designar o novo presidente da Comissão, após as eleições europeias de maio, - já que países como o Reino Unido têm reservas tanto relativamente a Martin Schulz como a Jean-Claude Juncker - e ter de se escolher um outro nome, Barroso notou que estes processos resultam sempre de uma negociação.

«Em democracia é sempre preciso ter depois as maiorias, seja nos parlamentos, seja através do povo diretamente, o que se passa aí é que as regras da União Europeia são diferentes, na medida em que somos vários Estados, não somos um Estado», afirmou.

Depois de outubro «logo se verá»

O presidente da Comissão Europeia disse também não ter planos para o futuro e que ao longo do mandato fez «tudo o que podia por Portugal».

José Manuel Durão Barroso falava à TVI e à agência Lusa, à chegada ao congresso do Partido Popular Europeu (PPE), que hoje elege o seu candidato oficial a presidente da Comissão Europeia.

Questionado sobre se já pensou sobre o seu futuro após terminar o segundo mandato como presidente do executivo comunitário, o português respondeu: «Ainda não, agora estou concentrado até outubro, depois logo se verá. Portugal é o meu país, mas neste momento não tenho planos, não tenho quaisquer planos».

Durão Barroso, que se manterá no cargo até ao final de outubro, afirmou depois estar de consciência tranquila em relação ao seu desempenho e no apoio a Portugal durante a crise financeira.

«Devo dizer que os momentos que mais sofri não foram tanto com a crise do euro, mas com o que se passava no nosso país, e agora aqui na Irlanda têm reconhecido o que fiz pela Irlanda, na Grécia também acabaram de me distinguir com outra condecoração, se os outros países reconhecem que fiz por eles o máximo que podia fazer, será que não o faria pelo meu próprio país?», interrogou.

«Fiz tudo o que podia por Portugal, nesse aspeto tenho a consciência absolutamente tranquila», acrescentou.

O ex-primeiro-ministro português referiu ainda que «se não fosse um português à frente da Comissão Europeia a orientação [para Portugal] teria sido muito mais no sentido do rigor, sem a dimensão social, sem a dimensão do equilíbrio entre a consolidação e o apoio ao crescimento».