Morreu José Medeiros Ferreira. Professor universitário e político tinha 72 anos de idade. Funeral é esta quarta-feira no cemitério dos Prazeres, Lisboa, às 15:00.

O historiador e político José Medeiros Ferreira morreu esta terça-feira, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, disse à Lusa a professora universitária Maria Inácia Razola, amiga do ex-ministro do PS.

Segundo fonte do hospital, Medeiros Ferreira faleceu pelas 08:45.

Com um longo currículo académico e político. Medeiros Ferreira fica para a história como o ministro dos Negócios Estrangeiros que laborou no processo de adesão de Portugal à Comunidade Europeia, que só veio a acontecer em 1986.

Morreu um dos «intelectuais mais notáveis do país», disse Cavaco Silva. Leia outras reações políticas.

José Medeiros Ferreira nasceu em 1942, na Madeira, e cresceu na ilha de S. Miguel, nos Açores. Estudou Filosofia em Lisboa, licenciou-se em Ciências Sociais em Genebra e doutorou-se em História Institucional e Política na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ainda teve tempo para ser dirigente associativo. E opositor de Salazar. Esteve exilado na Suíça entre 1968 e 1974.

Entre 1972 e 1974, foi assistente na Faculdade de Ciências Económicas e Sociais da Universidade de Genebra e, entre 1981 e 1991, assistente convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, onde, entre 1991 e 1999, foi professor auxiliar. Desde 1999 que era professor associado da mesma faculdade.

Medeiros Ferreira foi deputado à Assembleia Constituinte entre 1975 e 1976 e foi ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Constitucional (1976-1978), chefiado por Mário Soares.

Foi o ministro dos Negócios Estrangeiros que trabalhou na elaboração da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE). Portugal é membro da CEE desde 01 de janeiro de 1986.

Em 1978, Medeiros Ferreira e outros elementos da ala direita e reformista do Partido Socialista (PS), como António Barreto e Francisco Sousa Tavares, saíram do PS para criar no Movimento Reformador ou Movimento dos Reformadores que em 1979 se juntaria à Aliança Democrática (AD) de Sá Carneiro. Em 1981 acabaria por retirar o apoio à AD.

Socialista, afastou-se do partido em meados da década de 2000. Esta não foi a primeira vez. Na década de 80 também se afastou dos socialistas e para se juntar ao movimento dos reformadores e do PRD. Em 1985, apoiou a criação do Partido Renovador Democrático (PRD), vindo a ser um dos seus nomes mais conhecidos. Voltaria, contudo, ao PS.

Foi deputado do Parlamento Europeu entre 1985 e 1989.

«José Medeiros Ferreira demitiu-se dos lugares que ocupava na Comissão Política e na Comissão Nacional do PS em 2006. Numa carta entregue pelo ex-ministro dos Negócios Estrangeiros ao presidente do partido, Almeida Santos, Medeiros Ferreira considerava que seria «desconfortável» permanecer naqueles órgãos, para os quais foi eleito em representação da tendência minoritária, liderada por Manuel Alegre, no congresso de Guimarães, em Outubro de 2004», como escrevia o DN na altura.

Foi ainda autor de várias obras na área das relações internacionais, tinha uma coluna semanal no Diário de Notícias e era co-autor do blogue http://bichos-carpinteiros.blogspot.com. Foi também comentador político, nomeadamente, na TVI24.

A 13 de Julho de 1981, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 1989, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, há pouco tempo, a jornalista perguntou-lhe: «O país tem salvação? Se Portugal chegou até aqui é porque 'pode e deve continuar', como escrevi em 1979 no Manifesto Reformador. Ainda há neste matéria para o futuro. Com acrescentos».