O ex-ministro Nuno Morais Sarmento apelou este sábado à construção de um acordo de convergência nacional para o período pós-troika, que quer aberto a todos os partidos mas que terá de incluir, no mínimo, PSD e PS.

«Em 2014 temos de ser capazes de construir um acordo de convergência nacional (...) Mais do que discutir se saímos com um cautelar ou "à irlandesa", o que nos deve preocupar é uma saída à portuguesa, que acautele o nosso futuro», disse Morais Sarmento, perante o XXXV Congresso do PSD.

Esse acordo, para o dirigente social-democrata, «deve ser aberto a todos os partidos mas tem um quórum mínimo para funcionar: a presença do PSD e do PS», sem se referir ao parceiro de coligação dos sociais-democratas no Governo, o CDS.

No seu discurso, um dos mais aguardados do congresso, Morais Sarmento fez questão de agradecer pessoalmente a Pedro Passos Coelho ter liderado o caminho «de um país encontrado à beira da bancarrota e conduzido até à beira da terra firme» e pelo seu papel na crise da coligação, no verão passado, na sequência do pedido de demissão de Paulo Portas, que o líder do PSD e primeiro-ministro recusou.

«Não me recordo de muitos líderes políticos capazes de revelar a têmpera e liderança que o nosso líder demonstrou e que é impossível de encontrar em qualquer guião. Devemos-lhe ter evitado uma crise politica que teria tornado impossível o dia 17 de maio [fim do programa de ajustamento] e inevitável o segundo resgate», afirmou.

Para o período depois do fim do resgate, Morais Sarmento pediu que se contrarie uma cultura negativista e se dê mais atenção às pessoas, lembrando que as políticas não se mobilizam por estatísticas mas por ideias: «E nós precisamos de voltar a sonhar».

«Os portugueses já perceberam que uma parte da realidade dura vai ter de continuar, mas outra vai poder ser diferente, é esta janela de oportunidade que temos de aproveitar», defendeu.

Para Morais Sarmento, o país chegou ao fim do programa de ajustamento ¿ um objetivo que parecia impossível há dois anos, disse - «apesar das oposições», a que deixou duras críticas, sobretudo ao PS, que «correu a pedir eleições logo que se julgou em vantagem».

«Neste último ano, o que recordo de António José Seguro faz-me lembrar aquelas telenovelas em que podemos estar 2 ou 3 semanas sem ver e quando voltamos temos a certeza que está na mesma», criticou, provocando risos no congresso.

Ao BE apelidou de «Torre de Babel» e comparou às intervenções do PCP aos programas da RTP Memória - que dão conforto, mas estão ultrapassados.

Mas um dos maiores aplausos da sua intervenção aconteceu quando estendeu as críticas ao anterior primeiro-ministro, José Sócrates, que «continua a dizer que o seu Governo fez tudo bem apesar de tudo ter acabado mal».

«Se te posso dar uma sugestão, é que o uses como barómetro: enquanto José Sócrates continuar a dizer que está tudo mal podes estar descansado que estás na linha certa», disse, dirigindo-se diretamente a Passos Coelho.

Morais Sarmento, que tem um espaço semanal de comentário na RTP, não deixou de responder a críticas ouvidas no congresso aos comentadores do PSD que criticam os partidos na comunicação social.

«Recusei sempre que a nossa militância se esgotasse ou valesse mais quando feito dentro do partido e para dentro, defendi sempre que o essencial da nossa militância se cumpra lá fora», respondeu, embora contrapondo que, quem fala fora, tem também a obrigação de falar dentro do partido.

O ex-dirigente social-democrata deixou ainda uma crítica à antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite, por ter excluído Passos Coelho das listas às legislativas de 2009.