O primeiro-ministro criticou, este sábado, a mentalidade de «certas personalidades que acham que são donas do país» no debate sobre os quadros do Miró.

Pedro Passos Coelho falava no encerramento da conferência «Estratégia e Gestão dos Fundos Comunitários - Portugal 2020», tendo dado o exemplo da discussão sobre as obras de Miró como algo que faz «lembrar o pior do nosso desempenho nos últimos 20 anos».

«Se olharmos para o futuro com a mentalidade que está a transparecer nestes pequenos debates que se vão fazendo, então teremos de conceder que o país não aprendeu nada com o que se passou. Mas evidentemente eu acredito que o país aprendeu imenso com o que se passou e temos de distinguir bem o país de certas personalidades que acham que são donas do país», criticou.

Na opinião do primeiro-ministro, «não há ninguém no país que não gostasse muito de ter a oportunidade de poder ter um bom museu de arte moderna em que essas obras pudessem figurar, mas ninguém (...) tem dúvidas de qual é o custo que está associado a essa opção. Ninguém pode fazer tudo».

Passos Coelho realçou que «os países mais ricos do mundo não podem fazer tudo, quanto mais os países que estão endividados», como Portugal, defendendo que é preciso ser «extremamente criterioso» nas opções tomadas porque «o dinheiro não dá para tudo».

«Quando temos dificuldades em ter dinheiro na área da cultura para recuperar o património que precisamos de recuperar (...) e não temos meios para isso, vamos gastar 35, ou 37 ou 40 milhões de euros para poder aproveitar uns quadros de Miró que não temos sequer condições para poder usufruir em condições normais», questionou.

O primeiro-ministro recordou que a oposição, tal como «o país inteiro», se queixa do «que custou nacionalizar o BPN», realçando que foi o anterior Governo que tomou esta decisão e foi preciso injetar «milhares de milhões de euros que serão pagos pelos portugueses».

«Nós temos aqueles ativos que poderemos utilizar para diminuir esse prejuízo e mal as coisas começam a correr um pouco melhor já aparecem umas quantas personalidades a dizer: isso não tem importância, deixe lá esse prejuízo», criticou.

Passos Coelho afirmou ainda que se a ambição de Portugal «é ter uma economia que possa estar ao serviço das pessoas, que crie emprego», então tem de ser «uma economia aberta, competitiva, não baseada em salários baixos mas numa valorização de toda a cadeia de valor».

«Temos de mudar o chip, a mentalidade com que durante muitos anos olhámos para a nossa economia», reiterou.