O ministro de Estado e da Presidência da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, considera que Cavaco Silva foi «infantil» na reação ao incidente com um voo da TAP que chegou a Portugal com 74 cidadãos sírios.

«Começaram por dizer que havia artilharia pesada na pista do aeroporto, que a tripulação tinha sido ameaçada, uma data de histórias. O Presidente da República portuguesa, sem comprovar, sem fiabilidade das fontes, aparece publicamente a fazer uma declaração tendo como suporte essas falácias e calúnias em relação à Guiné. Foi bastante triste o que aconteceu», afirmou, em entrevista à TSF, admitindo uma «precipitação» de Cavaco. «Não estava à espera, pela sua experiência política, foi extremamente infantil esse posicionamento», acrescentou.

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Segundo o governante guineense, este incidente foi «oportuno» para Portugal apoiar o antigo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, deposto em 2012.

«Portugal apoiou sempre o ex-PM e não reconhece o atual governo de transição, onde o partido do ex-PM, o PAIGC, tem cinco ministros. Portugal continua a insistir em apoiar o ex-PM», começou por explicar.

«E talvez porque tivéssemos começado o processo de recenseamento e ele ficaria de fora, não se recenseando não seria candidato, foi oportuno este incidente para ser politizado e ganhar mais tempo, provocando o adiamento das eleições mais uma vez e tendo Carlos Gomes mais uma vez a hipótese de participar», acrescentou.

O ministro de Estado garantiu que «houve falhas de ambas as partes» no incidente com o voo da TAP.

«A TAP tem a responsabilidade de fazer o controlo e de impedir o embarque de pessoas indevidamente documentadas. [Os refugiados] entraram legalmente na Guiné, com passaportes sírios, com vistos concedidos pela nossa embaixada em Marrocos. Houve falhas de ambas as partes», disse.

Fernando Vaz apontou «inúmeras fragilidades» ao sistema da TAP, que «permite que as pessoas façam check in online sem notificação dos vistos».