O militante Salsinha levantou o Congresso do PSD com uma intervenção em que lembrou como as mulheres dizem que Passos é «muito bonito», mas também como os cortes são difíceis e os políticos devem moderar a linguagem.

O militante de Lisboa estendeu a sua intervenção bastante para além dos três minutos regulamentares, e ainda contou com a cedência de tempo do próprio presidente da mesa do Congresso, Fernando Ruas, e do ex-presidente da Câmara de Caldas da Rainha Fernando Costa.

«Eu não sei se volto aqui, deixem-me falar à vontade», disse, a meio do discurso o militantes de 81 anos.

Começando por lembrar o Coliseu que conheceu «menino e moço», Salsinha depressa passou para um aparentemente desejo de maior paridade, de querer uma plateia com «aior igualdade de rosas e cravos», o que faria a «alegria de todos homens e de todos no partido».

Do florido apelo paritário ao elogio à beleza do presidente do partido e primeiro-ministro, Passos Coelho, mediou apenas uma pausa para respirar: «Muitas mulheres dizem "vocês têm um presidente muito bonito"».

Os elogios estenderam-se à oratória do líder, pelo «discurso lindíssimo» proferido na sexta-feira, durante uma hora e «sem papéis».

Quase sempre sem ler, Salsinha passou em revista uma miríade de temas, desde a falta de segurança, aos cortes nas pensões.

«Apesar de aceitarmos que tem de ser assim por motivos de economia nacional, é com dificuldade que aceitamos», disse, referindo-se aos cortes nas pensões.

O que Salsinha também não aceita é a linguagem de alguma classe política, pessoas que «não têm um cão para passear em casa» mas não se inibem de chamar «estúpido» ao primeiro-ministro.

«Uma classe política tem que dar exemplo aos meus filhos e aos meus netos», declarou.

Salsinha não esqueceu os próximos desafios eleitorais, nem mesmo as eleições presidenciais, tema que «é um bocado mais sério», para o qual pediu «a maior reflexão» e relativamente ao qual considera haver militantes qualificados no partido, alguns vindo do tempo do fundador Sá-Carneiro.

Para europeias e legislativas, pediu a Passos Coelho que sejam escolhidos os «melhores» politicamente e profissionalmente.

E porque «a vida é uma passagem» que «será o que Deus quiser», Salsinha pediu para todos «saúde, paz, amor e compreensão».

O Coliseu retribuiu-lhe, aplaudindo de pé, gritando «PSD» e fazendo o «V» de vitória.