O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, sublinhou, esta terça-feira, que «não foi utilizada força desproporcionada» na atuação da polícia junto do piquete de greve dos trabalhadores dos CTT, em Cabo Ruivo, em Lisboa, a 29 de novembro.

Miguel Macedo notou que as forças de segurança atuaram em conformidade com as circunstâncias e não «impediram a circulação dos deputados» Bruno Dias, do Partido Comunista Português (PCP), e de Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

Em resposta à intervenção do deputado do PCP João Oliveira, o ministro da Administração Interna salientou que a polícia limitou-se a «criar dois cordões de segurança», desimpedindo a via de acesso às instalações dos CTT no Cabo Ruivo.

«Foram deslocadas para um lado as pessoas que estavam sentadas na via que dava acesso à saída de dois camiões. Foi necessário isso para garantir a segurança dos dois camiões e dos que se manifestavam», disse o ministro da Administração Interna, na audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, requerida por PCP e BE.

Acompanhado dos secretários de Estado Fernando Alexandre e Filipe Lobo D'Ávila, o ministro da Administração Interna referiu que «os cordões de segurança são as medidas normais de atuação da polícia naquelas circunstâncias», em resposta à deputada do BE Cecília Honório, que colocou em causa «a atuação musculada da polícia», que «imagens televisivas comprovam».

O membro do Governo disse ter recebido «relato por escrito da PSP do que aconteceu» e lembrou que «um piquete de greve não pode servir, como serviu naquelas circunstâncias, para se sentarem à frente da via de passagem dos camiões».

«Isso é o piquete de greve a opor-se e a obstaculizar o direito ao trabalho. Pessoas do piquete de greve não podem ter o direito de pendurarem-se nos camiões, pondo em risco a sua integridade física e dos outros», acrescentou, justificando, por isso, a atuação policial.

O governante apelou ainda que os deputados «se identifiquem ao oficial das forças de segurança antes dos problemas», pois, frisou, é normal acontecer a identificação apenas «quando começam os problemas».

A presença do ministro da Administração no parlamento para explicar o que se passou na noite de 29 de novembro foi aprovada por unanimidade pela primeira comissão parlamentar, após requerimentos do PCP e BE para «audição urgente».

A polícia foi chamada a intervir no Centro de Distribuição dos CTT em Cabo Ruivo, para permitir a saída de camiões depois do início da greve.

Os deputados insurgiram-se por terem sido confinados a um lugar da estrada, protegido por um cordão de segurança de elementos da Polícia de Segurança Pública.