O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes defendeu este sábado uma coligação com o CDS-PP «já nas europeias» com vista a que se concretize também nas legislativas, expressando o apoio a Paulo Rangel como cabeça de lista.

Luís Filipe Menezes, que disse ter vindo ao XXXV Congresso do PSD, em Lisboa, «assumir a responsabilidade da derrota no Porto», defendeu ainda que não teria expulsado os militantes que foram recentemente expulsos do partido por terem ingressado listas de oposição nas autárquicas.

«A opinião deste militante do partido, que não foi apoiado pelo CDS no Porto que viu o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, a fazer oposição feroz à sua candidatura, a minha posição é de sentido responsabilidade. Em meu entender, deve haver uma coligação com o CDS, se possível, já nas eleições europeias», afirmou Menezes perante o Congresso social-democrata.

Para o ex-presidente do PSD, essa «será uma pedra definitiva na ideia da instabilidade» da coligação e, por outro lado, «um casamento precisa de um noivado».

«Se há casamento lá adiante, nas legislativas, é bom que comecemos desde já a noivar para começarmos a conhecer melhor os hábitos uns dos outros», ilustrou.

Menezes disse que se fosse presidente do partido escolheria Paulo Rangel para cabeça de lista ao Parlamento Europeu.

«Escolheria o doutor Paulo Rangel por vários motivos, não me movimento por estados de alma, porque sou pragmático, porque, acima de qualquer "revanche" que pudesse prevalecer no meu espírito, está o interesse do meu partido e do meu país», justificou, considerando que o eurodeputado é quem reúne as melhores condições para uma vitória.

Uma dessas condições, apontou, é a boa reputação que Rangel goza junto de uma classe média particularmente zangada com o PSD.

Num discurso de cerca de meia hora, no regresso ao Coliseu, Menezes evocou o Congresso mais marcante do PSD naquele espaço, quando chegava ao fim a chamada década do «cavaquismo» e os sociais-democratas se dividiram na escolha do novo presidente do partido.

Nessa reunião magna que Luís Filipe Menezes fez a afirmação de que a vitória de Durão Barroso seria o triunfo de um «eixo sulista, elitista e liberal» contrário à identidade do PSD.

Muitos congressistas apuparam-no e, na sequência desse episódio, Menezes renunciou à vice-presidência do partido que lhe tinha sido proposta por Fernando Nogueira.

Menezes disse ter lido hoje num jornal de referência que esse foi um discurso triste que ficou célebre.

«O discurso ficou célebre, é verdade, mas não ficou para a história como um discurso triste, penso que só a ignorância do que é o essencial do traço de caráter do PSD é que pode dizer que foi um discurso triste. Foi um discurso, alegre, otimista, frutuoso, do ponto de vista dessa lógica de afirmação de traço de caráter», disse.

Esse caráter positivo do discurso deve-se ao facto de ter sido «frontal e corajoso», de quem disse «o que pensava» e porque os militantes que discordaram de si nessa noite acabaram por o eleger presidente do partido.

CDS «bem confortável» com Rangel nas europeias

O líder parlamentar do CDS-PP declarou que o seu partido ficará «bem confortável» se o social-democrata Paulo Rangel for o escolhido para cabeça de lista da coligação para as eleições europeias de 25 de maio.

«O CDS, já ontem (sexta-feira) o presidente do partido o disse, tem uma excelente número um, no sentido que é o primeiro do CDS, que é Nuno Melo. Se isso se confirmar, deixa-me confortável», afirmou, à saída do XXXV Congresso do PSD, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Segundo vários órgãos de Comunicação Social, o atual eurodeputado do PSD Paulo Rangel será ainda anunciado como o escolhido para encabeçar novamente a lista concorrente ao sufrágio do Parlamento Europeu.

«É uma escolha, uma decisão que deixa o CDS bem confortável para combater», reiterou Nuno Magalhães.