O antigo presidente dos sociais-democratas Marcelo Rebelo de Sousa apareceu este sábado de surpresa no Congresso do PSD e animou e levantou o Coliseu de Lisboa com um discurso emotivo em que falou da história do partido.

Marcelo Rebelo de Sousa revelou ter hesitado se devia ou não aparecer neste Congresso, referindo que houve quem lhe dissesse que iria parecer estar a fazer-se «ao piso para qualquer coisa» - numa alusão à polémica sobre uma eventual candidatura sua às presidenciais de 2016.

Num discurso de quase uma hora, que acabou com aplausos de pé dos congressistas, o professor de direito e comentador político afirmou ter decidido não faltar ao Congresso em que o PSD comemora os seus 40 anos.

No início do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa saudou o facto de o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ter escolhido o seu ex-adversário interno Paulo Rangel para cabeça de lista às europeias de 25 de maio.

Depois, considerou aconselhável «ganharem dois» nestas eleições: «Nós e o Seguro, o que é difícil, para ele não perder muito, porque se ele perder muito o Costa fica-se a rir». E questionou se o secretário-geral do PS vai antecipar a data definida para anunciar o seu cabeça de lista ou se «fica a falar de borboletas» até ao dia 5 de março.

«Vejam que isto não é muito diferente do que eu costumo dizer ao domingo. Eu digo cá dentro o que digo cá fora», observou, em seguida, apontando a abertura e pluralidade de opiniões como a força do PSD: «O partido deve continuar assim».

Declarando-se «uma das melhores provas da liberdade no partido», acrescentou: «O encanto da vida está nisso, em cada discordância que surge há uma potencial candidatura a uma concordância no futuro. E em cada concordância presente há o risco de uma eventual discordância no futuro. É o encanto do PSD».

Sobre a situação do país, o professor universitário de direito disse que «não está melhor em tudo», que «são muitos os que são a sofrer» e satirizou a ideia do "parceiro da coligação" de que a saída da crise é como o 1.º de dezembro de 1640: «Atira-se o Miguel de Vasconcelos pela janela, abre-se a janela, e é um novo país».

O antigo presidente do PSD sustentou que o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, «adora dar boas notícias», enquanto o primeiro-ministro «adora chamar à atenção para que é cedo para dar boas notícias». Perante os aplausos e risos dos congressistas, sugeriu: «Não aplaudam, aplaudam internamente».

Marcelo falou ainda dos «muitos liberais» que o PSD sempre teve, para acrescentar que «se fosse só isso não era o partido de massas e militantes que é», e da chegada de Cavaco Silva a Belém, não sem antes mencionar que isso se podia prestar «a más interpretações».

Após contar episódios da história do PSD como o momento em que escreveu numa máquina Olivetti o comunicado a anunciar a formação do então Partido Popular Democrata, e a primeira sessão de esclarecimento, Marcelo concluiu que «valeu a pena».

«Vamos lá ver se eu não me emociono: valeu a pena escrever naquela Olivetti antiga aquele comunicado, valeu a pena arrombar a porta da sede da Legião Portuguesa, valeu a pena fazer comícios improvisados, valeu a pena andar pelos telhados de Beja, valeu a pena, pelo PSD e por Portugal. Viva o PSD, viva Portugal», declarou.