Cerca de 500 manifestantes receberam este domingo Passos Coelho em Coimbra, onde o presidente do PSD se encontra com militantes para apresentar a sua recandidatura.

O primeiro-ministro ignorou o protesto do movimento cívico que exige a conclusão das obras do Metro do Mondego.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como «queremos o metro» e exibiam cartazes em que se lia «senhor primeiro-ministro, honre o que prometeu na campanha eleitoral» ou «senhor ministro, mostre que é um homem de palavra, termine a obra».

O primeiro-ministro deslocou-se ao final da tarde a Coimbra para participar numa reunião fechada a jornalistas, com militantes do seu partido, depois de ter estado presente num encontro idêntico no Fundão, igualmente no âmbito da sua recandidatura a presidente dos sociais-democratas.

Questionado pelos jornalistas, Passos Coelho escusou-se a comentar a manifestação e a responder a quaisquer outras perguntas, dirigindo-se para a sala onde está reunido, nas instalações do Instituto Português da Juventude.

Promovida pelo Movimento Cívico de Coimbra, Lousã, Miranda do Corvo e Góis, a manifestação contou com a participação de vários autarcas, designadamente dos presidentes das câmaras de Góis, Vila Nova de Poiares, Lousã e Miranda do Corvo, todos eleitos pelo PS.

«É tempo de o Governo passar das palavras aos atos e cumprir as promessas», disse à agência Lusa o presidente da Câmara da Lousã, Luís Antunes, reconhecendo, no entanto, que «o anterior Governo também não esteve bem», uma vez que também tem responsabilidades na paragem do processo de criação do Sistema de Mobilidade do Mondego.

Pedro Passos Coelho, enquanto candidato a primeiro-ministro, «prometeu, em Miranda do Corvo, há 30 meses, uma solução rápida para o MM», sublinhou Luís Antunes, recordando que já foram investidos cerca de 100 milhões de euros no projeto.

«Estamos aqui para que o senhor primeiro-ministro para reavivar-lhe a memória e para que não se esqueça do que prometeu», afirmou à Lusa o autarca de Miranda do Corvo, Miguel Baptista.

O porta-voz do movimento cívico promotor da concentração, Jaime Ramos, considerou que «a não conclusão do projeto» representaria «terrorismo de Estado».

«Não se trata de uma obra nova», o projeto foi iniciado há quatro anos, sustentou, recordando que o movimento teve uma promessa do Presidente da República e do primeiro-ministro, enquanto candidatos aos cargos que ocupam, de que «a obra seria concluída».

O porta-voz do Movimento Cívico de Coimbra, Lousã, Miranda do Corvo e Góis revelou, no sábado, «ter informações» de que a comissão encarregada de selecionar as obras a candidatar a fundos europeus incluiu na lista o projeto Metro Mondego.

Segundo Jaime Ramos, a comissão criada pelo Governo para estudar e elaborar a lista dos 15 investimentos considerados de alto valor acrescentado para o país terminou o seu trabalho e incluiu a continuidade e conclusão das obras do Sistema de Mobilidade do Mondego com uma dotação «provisional de 160 milhões de euros».