O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira em Berlim que «os bons ventos finalmente sopram» a favor de Portugal e defendeu um «necessário espaço de entendimento» entre os partidos para ultrapassar a crise.

Intervindo na abertura do II Fórum Luso-Alemão, Rui Machete começou por falar sobre a situação económica e financeira em Portugal:«Os bons ventos finalmente parecem soprar a nosso favor», disse, afirmando que em maio terminará, «com sucesso», o programa de assistência económica e financeira, sempre com nota positiva nas avaliações intermédias da troika.

O ministro destacou que o país tem recuperado a capacidade de se financiar e pode encarar o fim do programa de ajustamento «com mais otimismo e confiança», mas continuará, depois, «sujeito a obrigações internas e externas» e por isso terá de evitar «qualquer tipo de complacência».

«Espero que em Portugal as principais forças políticas, que comungam dos mesmos ideais europeus, saibam encontrar o necessário espaço de entendimento que nos permita ultrapassar a atual crise, mas também alcançar compromissos políticos de longo prazo que deem continuidade e sustentabilidade às reformas estruturais», disse.

Rui Machete destacou, por um lado, «a disciplina e tenacidade do povo português» e, por outro, «o apoio e incentivo» dos parceiros europeus, no âmbito do programa de assistência, expressando «uma palavra de especial reconhecimento pela solidariedade e pelo apoio da Alemanha».

O país atravessou um «longo caminho», garantiu: «O nosso exigente processo interno de reformas e o reforço da governação económica europeia pareceriam inconcebíveis em 2009 ou 2010».

«Reabilitámos as contas públicas, recuperámos a credibilidade de Portugal junto dos nossos credores, reconquistámos a confiança internacional e lançámos as bases para uma nova economia, numa rota de crescimento e geradora de emprego», afirmou Rui Machete, destacando que o país «voltou a despertar o interesse dos investidores».

Por outro lado, as exportações portuguesas «batem recordes e chegam a mais destinos», representando hoje 41% do PIB, quando em 2009 eram 29%, enquanto a taxa de desemprego diminuiu no ano passado de 17,7% para 15,3%.

O país está numa «rota de convergência», inverteu a trajetória recessiva e assiste a uma retoma de crescimento desde o segundo trimestre de 2013.

«O reequilíbrio das contas externas foi uma das consequências mais positivas desta notável capacidade de ajustamento das empresas portuguesas e do progresso das exportações. Só no último trimestre de 2013, o excedente externo foi já de 1,8% do PIB: Portugal deixou de se endividar e começou a criar as condições para reduzir o endividamento, abrindo futuro às gerações mais novas», cita