O Jornal de Angola ataca as «elites portuguesas ignorantes e corruptas» que «teimam em não reconhecer» que o governo angolano tem «amplo apoio popular» e que as suas eleições são «reconhecidas pela comunidade internacional como livres e justas».

«Dessa obstinação resultam posições nada lúcidas e pouco inteligentes sobre a nossa realidade. Nos dias de desespero os dominadores da máquina mediática portuguesa sobem de tom e recorrem ao insulto reles e grosseiro contra os dirigentes angolanos eleitos pelo povo», lê-se no editorial intitulado «Reciprocidade».

O diário critica o «ataque gratuito e desqualificado» contra o presidente angolano por parte da comunicação social portuguesa. «Quando se referem a Angola falam do "regime de José Eduardo dos Santos" como falam do "regime de Assad", do "regime do Irão" ou do "regime da Coreia do Norte" e do "ditador Mugabe" (...) O que diriam se falássemos de Portugal como o "regime de Cavaco Silva", o "regime de Passos Coelho", o "regime de Paulo Portas". Alguém gostaria? Tudo na vida tem limites, até a falta de educação e de vergonha», apontam.

Para o Jornal de Angola, está na altura deste país exigir «reciprocidade» no tratamento, porque «os angolanos recebem de braços abertos e fraternalmente dezenas de milhares de portugueses», enquanto «as elites corruptas e ignorantes» portuguesas «insultam e caluniam os políticos» angolanos.

«Não podemos admitir que, em Portugal, políticos e jornalistas, intelectuais com ideias submersas em ódios recalcados, não respeitem os nossos símbolos nacionais e desonrem os titulares dos nossos órgãos de soberania», acrescenta.

O editorial termina em tom de ameaça, caso não se verifiquem mudanças: «Se de Portugal continuam a chover insultos e calúnias, não podemos continuar pacientemente à espera que a inteligência ilumine as elites portuguesas corruptas e ignorantes. A resposta nestas circunstâncias só pode ser uma: reciprocidade.»