O secretário-geral do PCP defendeu, este domingo, que seria «mau para a democracia» e a colocaria «em risco» se os portugueses levassem «o seu descontentamento ao voto no PS».

«Até seria mau para democracia que, as pessoas mais uma vez enganadas, fossem votar no PS, fossem levar o seu descontentamento ao voto no PS, porque, depois viria a desilusão. E nós pensamos que a própria democracia incorreria em risco, porque hoje aquilo que mais aflige os portugueses é a falta de uma política de verdade, de falarem verdade ao povo», afirmou o líder comunista, Jerónimo de Sousa.

Num almoço em São João da Talha, no concelho de Loures, que nas últimas eleições autárquicas voltou a ser governado pela CDU, Jerónimo de Sousa atacou o voto útil no PS.

Segundo o líder comunista, os socialistas têm insistido que, para derrotar a direita, é preciso «juntar votos no PS».

«A ideia é interessante, juntar, mas sobra sempre uma pergunta: juntar votos no PS para quê? Para fazer que política? Então o PS não assinou o Tratado Orçamental que significa que a troika se vai embora mas a intervenção estrangeira continua a existir cá dentro. É que não temos liberdade orçamental», sustentou.

Jerónimo argumentou que quando os portugueses perguntam pelos cortes nas pensões, nos salários, pela degradação do Serviço Nacional de Saúde, pelo facto de já não conseguirem enviar os filhos para a universidade ouvem do PS: «Não garanto que possa devolver aquilo que foi roubado aos portugueses durante estes três anos.»

«Pois não, não podem, porque tinha a sua assinatura por baixo do documento que levou a esse roubo, aos cortes, das pensões, das reformas, dos serviços públicos de saúde. Está comprometido», declarou.

João Ferreira acusa PS de não ter credibilidade para prometer mudança

O cabeça de lista da CDU às eleições europeias defendeu, no mesmo almoço em S. João da Talha, que o PS não tem «credibilidade nenhuma para prometer mudança», porque esteve ao lado de PSD e CDS-PP no Parlamento Europeu em todas as matérias relevantes para Portugal.

O cabeça de lista da CDU acusou os socialistas de terem votado com PSD e CDS-PP «a reforma da Política Agrícola Comum desastrosa para Portugal», uma reforma da política de pescas que continua a determinar o abate da frota e de abertura das águas a frotas de outros países, «aprovaram o orçamento da União Europeia que reduz as verbas para Portugal e que dificulta ainda mais a sua utilização».

«Aprovaram pacotes de liberalização no setor dos transportes e da energia, aprovaram o tratado orçamental, o pacto para o 'euro mais', que determina o aumento da idade da reforma, o fim da contratação coletiva. Aprovaram tudo, mas tudo, ao lado de PSD e CDS», afirmou.

Na sua intervenção, João Ferreira defendeu a «afirmação do primado dos interesses nacionais na relação com a União Europeia, diversificando relações económicas e financeiras e adotando as medidas que preparem o país face a uma uma saída do euro, seja ela por opção e vontade própria do povo português, seja por desenvolvimentos na crise na União Europeia».

João Ferreira referiu-se a umas «almas» que andam «inquietas» com o discurso da CDU relativamente ao euro, o que, afirmou, não será alheio o «bom ambiente» sentido em torno daquela força política.

«Não é inocente essa diabolização. Desenganem-se os que com ela querem calar o que deve ser dito. Não reduzimos os problemas nacionais ao euro, sabemos que antes do euro já cá moravam, pela mão do PSD, PS e CDS, a liquidação da produção nacional, os défices estratégicos, o abandono económico e a liquidação de direitos», argumentou.