O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou sexta-feira à noite que Portugal está a «crescer para baixo» e acusou o Governo de «hipocrisia e propaganda» ao anunciar que a economia do país está no bom caminho.

Falando num jantar comício em Cernache, próximo de Coimbra, o secretário-geral comunista acusou o executivo de Passos Coelho de cavalgar uma «campanha de propaganda» ao dizer aos portugueses que «finalmente Portugal está no bom caminho e está aí a retoma, o milagre económico, a redução do desemprego».

«Ouvimos na comunicação dominante tanto comentador a dar os parabéns ao Governo e a dizer que estamos a crescer, a diminuir o desemprego e a resolver problema do défice, mas isso não tem nada a ver com a vida dos portugueses, que estão piores», sublinhou Jerónimo Sousa.

«Estamos a crescer? Bom, é uma nova teoria, conseguimos estar a crescer para baixo, ou seja, este ano vai haver menos crescimento do PIB do que em relação a 2013», declarou, salientando que bastou abrandar a recessão para o Governo dizer que «estamos a crescer».

Num balanço aos dois anos e meio de governação da coligação PSD/CDS, o líder do PCP lembrou que foram destruídos 300 mil postos de trabalho líquidos e que não existe redução de desemprego em Portugal, mas sim uma franja larga de pessoas, sobretudo jovens, que estão a emigrar.

Segundo Jerónimo de Sousa, «a verdade é que há menos empregos em Portugal e a juventude está deparada com o drama de não saber o que há de fazer do seu futuro».

«Nós acreditamos até que são capazes de por o défice a zero, mas a questão está em saber se os fins justificam todos os meios. A questão é saber se podem levar o défice a zero à custa da destruição do país e de muitas vidas», enfatizou.

Perante cerca de 350 apoiantes, o dirigente comunista disse ainda que as novas medidas do Orçamento do Estado para este ano vão piorar as condições de vida dos portugueses, considerando, por isso, inaceitável «ouvir cantar êxitos quando conhecemos a realidade, que vale mais do que qualquer discurso».

«São setores inteiros afligidos pelo desemprego, pela pobreza, por injustiças, por menos cuidados de saúde, por um ataque à escola pública e à juventude», sublinhou o secretário-geral do PCP.