O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assegurou esta terça-feira que os meios dedicados ao combate aos incêndios são os adequados e lamentou a morte de quatro bombeiros, dizendo-se solidário com o trabalho feito.

«Não posso deixar de mostrar enorme solidariedade para com os bombeiros», disse o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro esteve esta terça-feira na Autoridade Nacional de Proteção Civil para ser informado do ponto de situação dos incêndios em Portugal.

Em declarações aos jornalistas, no final da visita, Passos Coelho deixou a garantia de que, apesar das dificuldades financeiras, os meios no terreno «são os considerados adequados».

«Vivemos tempos de dificuldades financeiras graves, mas isso não impediu que se mantivesse todo o esforço de despesa orçamental que foi feito em anos anteriores no combate aos incêndios. Nós não aliviámos nem nos descuidámos nos meios que estão disponíveis para intervenção no terreno», assegurou Passos Coelho.

Deu como exemplo o facto de, em sede de Conselho de Ministros, terem sido aprovadas resoluções que disponibilizam os meios para substituir equipamentos que já não estavam operacionais.

«Podia perfeitamente ter acontecido, por insuficiência de disponibilidade financeira, que esses meios não tivessem sido substituídos, por contenção orçamental, mas não foi isso que aconteceu e, apesar de sabermos que temos dificuldades financeiras, os meios que foram considerados adequados foram devidamente financiados», defendeu.

O primeiro-ministro apontou, por outro lado, que, apesar das dificuldades das duas últimas semanas, o país não atravessa uma situação mais difícil do que em anos anteriores.

Passos Coelho admitiu, por outro lado, que possa vir a ser necessário apurar melhor os esforços que devem ser feitos, principalmente em matéria de prevenção, sublinhando que agora é o momento de «acudir às ocorrências».

«Apesar do planeamento que é feito, é sempre muito difícil fazer um acerto total quanto ao que podem ser as necessidades de emprego de meios para o resto do período», sublinhou.

O chefe do Governo aproveitou para salientar o «enorme profissionalismo» da Proteção Civil no combate aos incêndios, fazendo um «reconhecimento muito especial pela forma muito profissional como os bombeiros têm feito o combate».

Passos Coelho lembrou os vários bombeiros feridos no combate às chamas que continuam internados e outros quatro que morreram.

«Sabemos que estas situações podem sempre ocorrer, são normalmente trágicas e de lamentar. Não posso deixar de mostrar nesta ocasião enorme solidariedade pelo trabalho que foi feito por estes bombeiros que corajosamente perderam a vida», disse Passos Coelho.

Por outro lado, em relação aos que continuam hospitalizados, desejou «a recuperação melhor que se pode vaticinar».

Questionado sobre o motivo de só agora fazer uma declaração pública sobre os bombeiros falecidos, o primeiro-ministro defendeu que esta era a altura ideal devido ao elevado número de incêndios ativos no país.

«O Governo sempre acompanhou estas situações através do ministro da Administração Interna e portanto o primeiro-ministro não tem de andar a correr a manifestar-se sobre estas matérias. Faz quando é necessário e hoje entendeu ser necessário fazê-lo», respondeu.

Passos Coelho aconselhou «cuidado» quando se relaciona a morte dos quatro bombeiros com falhas no comando ou ao nível da prevenção, alertando que a perda de vidas pode prestar-se a «conclusões precipitadas».