O presidente do PSD e primeiro-ministro defendeu, esta sexta-feira, que o Governo está a um dia de dizer aos portugueses que «deu conta do recado» e abriu caminho a uma «reconciliação» do país com a política.

«Cumprimos com as nossas obrigações, voltámos a criar um elo de confiança com aqueles que nos podem financiar e, por isso, demos um primeiro passo importante para que o país se pudesse reconciliar politicamente com o seu Governo, com os seus políticos, com os seus partidos», declarou Pedro Passos Coelho, durante um jantar comício da candidatura PSD/CDS-PP às eleições europeias, em Aveiro.

Na sua intervenção, o presidente do PSD considerou que os «resultados decepcionantes» apresentados por «muitos políticos» justificam que os portugueses se tenham afastado «da participação política», mas que «o país se mobilizou há três anos para mudar de rumo», e apelou a que essa «mobilização cívica» se repita nas eleições europeias.

Numa alusão à data apontada para a conclusão do programa de resgate a Portugal, Passos Coelho afirmou: «Estamos exatamente a um dia de poder dizer a essas portuguesas e a esses portugueses que confiaram em nós para voltar a erguer o país que demos conta do recado».

«Estas eleições são, portanto, uma segunda oportunidade cívica para o país se pronunciar. Eu nunca receei em tempo algum o julgamento dos portugueses», acrescentou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

Passos apela à desconfiança antes do voto noutros partidos

O primeiro-ministro alega que muitos dos que concorrem às eleições europeias «estão a lutar, no fundo pela sua sobrevivência» e defendeu que os portugueses devem puni-los no dia 25 de maio.

«Eu sei que muitos dos que concorrem a estas eleições estão a lutar, no fundo, pela sua sobrevivência. No fundo, continua a haver alguma razão para que os portugueses olhem para muitos partidos e muitos políticos com alguma desconfiança», declarou Pedro Passos Coelho, no discurso do comício da candidatura PSD/CDS-PP às europeias.

Segundo o presidente do PSD, «há quem não se habitue a olhar para as portugueses e para os portugueses e para Portugal colocando de lado os seus pequenos interesses, a sua pequenina agenda, a sua mesquinhez política», mas os portugueses terão «a oportunidade de mostrar a esses políticos e a esses partidos que sabem bem distinguir quem olha para Portugal e quem só olha para o seu umbigo».

Passos Coelho sustentou que PSD e CDS-PP estão «sintonizados com o país que lutou arduamente e quis acreditar que a política tinha de estar ao serviço em toda a sua nobreza das portuguesas e dos portuguesas, e não dos calendários partidários ou das pequenas ambições dos políticos».

«Eu confio nas portuguesas e nos portugueses. Qualquer que seja a sua escolha ou a sua decisão», concluiu.

Passos Coelho, defendeu, ainda, que Portugal «está, finalmente, a registar um resultado mais expressivo ao nível da criação de emprego», invocando dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

O primeiro-ministro alegou que «há um país dos analistas, um país da oposição e, depois, há o país das portuguesas e dos portugueses», considerando que a evolução económica do país não tem o reconhecimento merecido.

«Foi hoje mesmo divulgado, ainda há pouco, o resultado do Instituto de Emprego e Formação Profissional no que respeita ao desemprego registado nos centros de emprego, às ofertas de emprego e ao resultado de colocação nessas ofertas. E sabem o que aconteceu ? Em abril, nós conseguimos, face ao mesmo mês de abril do ano passado, ter menos 8% de desempregados registados, e conseguimos ter mais 21,5% de ofertas de emprego, e aqueles que conseguiram colocar-se nessas ofertas foram quase 27,5% mais do que há um ano atrás», assinalou.

Segundo o chefe do executivo PSD/CDS-PP, nos últimos três anos os portugueses não foram na conversa de uma «meia dúzia que faz uma algazarra grande» e «simplesmente olharam para outro canal, desligaram daquele pessimismo».