O secretário-geral do PS afirmou hoje que o Governo está a recorrer ao truque de «empurrar com a barriga» a dívida, sustentando que já passou encargos de 12 mil milhões de euros para a próxima legislatura.

«Ficámos hoje a conhecer outro truque do Governo, que é o de empurrar com a barriga os problemas em vez de os resolver. Ficámos a conhecer que o Governo já passou 12 mil milhões de euros de encargos com dívida para a próxima legislatura, para o próximo Governo», declarou António José Seguro.

António José Seguro falava no encerramento das Jornadas Parlamentares do PS, na Nazaré, numa intervenção em que considerou que o Governo «não trata de forma digna os portugueses» e em que pegou numa recente afirmação do líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, segundo a qual o país está atualmente melhor, embora a maioria das pessoas não.

«Nos últimos dias fomos brindados com a seguinte frase: A vida das pessoas está pior, mas o país está melhor. Isto diz tudo sobre a propaganda, mas também sobre a conceção de país deste Governo», advogou o líder socialista.

Na perspetiva do secretário-geral do PS, «para este Governo, as pessoas são o principal problema e são uma variável de ajustamento, mas para nós não há país sem pessoas e são os portugueses que formam e constituem Portugal».

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS acusou ainda o Governo de estar a montar uma estratégia de «engano», sobretudo em relação aos reformados, antes das eleições europeias de 25 de maio.

«Temos assistido à maior campanha de propaganda que há memória na nossa democracia a partir do Estado e do Governo. Como não tem resultados para apresentar, tenta mistificar», sustentou António José Seguro.

Perante os deputados do PS, a ligeira melhoria na economia portuguesa resultou do aumento da procura interna, variável que, na sua opinião, «o Governo diaboliza».

«Não houve qualquer mudança estrutural na economia portuguesa», afirmou, antes de renovar críticas ao processo de consolidação orçamental, dizendo que mais de três mil milhões de euros foram destruídos.

O fim do tradicional consenso europeu

O secretário-geral do PS afirmou também que os socialistas rejeitam compromissos com o Governo baseados na ideologia liberal do «Estado mínimo».

«A política do Governo gerou mais dívida, mais pobreza e diminuiu a capacidade instalada do país para responder à crise, mas não tinha de ser assim. Por isso, quando o Governo apela ao consenso, nunca poderá contar com o PS, porque o PS não partilha a ideologia liberal do Estado mínimo», disse.

O secretário-geral do PS responsabilizou depois o Governo por ter quebrado o tradicional consenso europeu antes existente em Portugal.

Para António José Seguro, esse consenso não foi quebrado «por acaso, mas por duas razões fundamentais: Por uma opção ideológica liberal completamente diferente da nossa e por uma atitude política de submissão do Governo de Passos Coelho em relação à Europa».

«Nós estamos em dificuldades, mas não perdemos a nossa dignidade como povo. Aqui não mora nem a resignação nem a rendição à inevitabilidade da receita liberal. Aqui mora uma alternativa realista», disse.

Seguro responsabilizou ainda a direita política portuguesa e europeia pela atual crise. «A direita lidera a maioria dos Estados-membros da União Europeia, incluindo Portugal, e está no topo das principais instituições europeias», declarou o líder socialista no final das Jornadas Parlamentares do PSD, que decorreram na Nazaré.

O atual caminho económico e financeiro do país «corresponde a uma opção ideológica deliberada, não apenas deste Governo [PSD/CDS], mas também da sua família política europeia».

«A crise iniciou-se há cerca de cinco anos e a Europa foi lenta a responder a essa crise. Andou sempre a correr atrás do prejuízo. O problema não é a ausência de identificação de alternativas, o problema é a falta de vontade política para trilhar outros caminhos», sustentou.