O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou este domingo o Governo de ser «um pau-mandado ao serviço de grandes interesses» e de «castigar os mesmos do costume», sem pedir, simultaneamente, qualquer «esforço suplementar aos poderosos».

«O governo, neste momento, é um pau-mandado que está ao serviço de grandes interesses», disse, frisando que «a natureza» do Orçamento do Estado para 2014 (OE2014) «revela bem» essa situação.

De acordo com a Lusa, o líder dos comunistas questionou qual o objetivo do «esforço nacional» pedido aos portugueses pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para concluir o programa de assistência financeira.

«Nós continuamos a fazer comparações que não são comparáveis. Mais um esforço, mais uma exigência sobre quem? Para quê? Porque esta é a questão fundamental que se coloca», argumentou.

«O Governo está a exigir algum esforço suplementar aos poderosos, aos grandes grupos económicos, ao setor financeiro? Está a pedir algum esforço? Não», disse o secretário-geral do PCP.

O líder comunista falava aos jornalistas em Évora, ao final da tarde deste domingo, depois de intervir na sessão pública do partido «Basta de roubos e mentiras», realizada no Palácio D. Manuel.

Jerónimo de Sousa acusou ainda o Governo de ter um «ódio visceral» à Constituição e repudiou o que considera ser a «enorme pressão» e a «chantagem pura» exercidas sobre o Tribunal Constitucional (TC).

«Têm a ousadia de vir dizer que não há saída senão mais medidas de austeridade, com uma enorme pressão sobre o TC. Falam 30 vezes no tribunal, trata-se de chantagem pura» e há que «repudiar esta intromissão inaceitável», defendeu.

Para o líder do PCP, o Governo tem um «ódio visceral» à Constituição da República. Jerónimo de Sousa explicou esse «ódio visceral» da maioria PSD/CDS-PP com o facto de a lei fundamental do país continuar «a consagrar a defesa de direitos fundamentais».

A título de exemplo, o líder comunista aludiu a direitos como «não ser despedido arbitrariamente, ao trabalho, à contratação coletiva, à liberdade sindical, à saúde e à segurança social, à educação, a fazer greve» ou a que «o povo lute».

«Esta é a constituição que eles não gostam e, por isso, esta campanha de chantagem, de pressão, sobre a Constituição tem a ver com objetivos concretos», criticou.